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Os novos VIPS
Fonte: Valor Econômico | 16/10/2003

Quase um novo fundo multimercado por dia. Não é força de expressão: decorridos pouco mais de 280 dias do ano, nada menos que 245 fundos só da categoria multimercados foram abertos este ano, com um patrimônio que já chega perto de R$ 10 milhões, segundo dados da QuantumAxis.

E o milagre da multiplicação dos fundos não deve parar por aí. Tem mais no forno. Desde novos assets que se lançam no mercado, como a Paraty , do ex-presidente do Bank of America Ian Dubugras e a Capitânea, de antigos tesoureiros do mesmo BofA, até gestores já conhecidos, que aproveitam o apetite dos investidores para oferecer novos produtos, caso da Investidor Profissional, da Fator e da Mellon. Sempre voltados para um público de alta renda, familiarizado com o dinamismo do mercado e a complexidade das operações feitas nessas carteiras.

O Mellon Allocation Growth - que deve ser lançado no fim deste mês - é literalmente a síntese desse movimento recente. Conhecendo o mercado de gestão independente como ninguém, os sócios da Mellon começaram a notar algo de interessante na enorme variedade de fundos lançados. Só neste e em 2002, foram criadas 537 novas carteiras, de acordo com a Quantum. "Fizemos um estudo e notamos que, no período de lançamento, esses fundos costumam ir excepcionalmente bem. Isso é natural porque o gestor está apresentando seu produto ao mercado e zelando por sua estratégia não só de gestão, mas de controle de risco e também por sua imagem", diz Delano Franco, da Mellon.

Assim, decidiram reunir alguns desses nomes promissores numa única carteira, um fundo de fundos de gestores emergentes, como já vem sendo chamado o Allocation Growth. "É interessante também porque cada gestor desses tem uma especialidade e estamos reunindo diferentes estratégias numa carteira só", diz Franco. Mas ele alerta que, por serem produtos ainda novos no mercado, existe, sim, um risco inerente, já que a performance de longo prazo ainda não é conhecida. "Estamos recomendando aos clientes que comecem aplicando uma parte menor do portfólio", explica.

A fase é tão próspera para os lançamentos que até a Investidor Profissional, pioneiríssima entre os independentes, se animou. Há 15 anos no mercado, prepara-se para lançar o quarto produto, o fundo IP Equities Hedge Plus. Mais, contratou até um coordenador para a área comercial, cadeira vaga há tempos na empresa. "Notamos uma oportunidade interessante no mercado e também uma maneira de atender nossos clientes, que viviam perguntando sobre uma opção diferente para aplicar seus recursos", diz Elsen Carvalho, novo diretor comercial da IP.

Por convicção dos sócios, a IP faz questão de manter-se fiel ao mercado de ações. O primeiro FIF da casa (os outros são todos fundos de investimento em ações), apesar do nome e do referencial atrelado à variação do CDI, não vai fugir à velha regra. Que vem funcionando bem se observado o excelente desempenho do IP Participações ao longo da última década.

"O fundo vai buscar oportunidades em arbitragens e posições compradas e vendidas, mas com ênfase no mercado de ações. Com a experiência que temos em avaliar empresas, se alguém vai conseguir encontrar essas arbitragens e oportunidades somos nós", diz Pedro Chermont, sócio da IP responsável pela área de gestão. "É um estilo 'hedge fund' de ações. No mercado americano, esse tipo de hedge fund é o mais comum".

Outra empresa de gestão com uma longa história na bagagem e um novo fundo no mercado é a Fator Administração de Recursos. E é justamente essa expertise em ações - principalmente em superar o Ibovespa -que ela emprega na gestão do recém-lançado Fator Plural Alpha FIA. "Já que temos um bom histórico na gestão ativa, resolvemos lançar um produto que aproveitasse bem isso", diz Nicolas Lagomarsino, diretor de Marketing do Banco Fator. São da instituição dois dos fundos de ações mais rentáveis este ano: o Coinfator, que acumula um ganho de 108,08% desde janeiro, e o Fator Plural Jaguar, que rendeu 101,46% este ano, para um Ibovespa de 60,29% no mesmo período.

O novo fundo, porém, tem uma política diferenciada das tradicionais carteiras de ações. O objetivo é ganhar com a diferença entre o rendimento de uma carteira à vista e o índice Bovespa futuro, mais a taxa de juros. "É um fundo de ações hedgeado, que usa derivativos para proteger a carteira", explica.

Recém-saído do forno é o empreendimento do ex-presidente do Bank of America, Ian Dubugras. A Paraty Investimentos, que deve abrigar fundos com o mesmo nome, reuniu um time de sócios de primeira. "Temos talentos complementares, são pessoas com backgrounds variados, que incluem gestão de tesourarias e de fundos, além de experiências em análise econômica ou na área quantitativa e de controle de risco", conta Dubugras. Alguns dos sócios da Paraty, aliás, mostram que mesmo a recente geração de novos assets já começa a dar "crias": faziam parte do Fidúcia, outra asset das mais badaladas da nova geração.

O nome Paraty veio da idéia de algo com tradição e que fica no meio do caminho entre Rio (onde fica a asset) e São Paulo (onde concentrou-se o mercado financeiro). Haverá um fundo local e outro offshore, mas a captação só deve começar forte no início do ano que vem. "Queremos antes começar a trabalhar como equipe e operar juntos. Ainda estamos definindo detalhes da política de investimentos dos fundos, mas o objetivo final será obter o melhor retorno absoluto possível dentro de um controle de risco rígido", explica Dubugras "O momento é muito propício para fundos com foco em retorno absoluto, mas que também tenham objetivo claro na preservação de capital", acredita.

Um grupo de ex-tesoureiros do Bank of America também está numa nova empreitada. Ricardo Matone, que era chefe de mesa de cupom cambial e dólar na instituição, Fábio Greco, que no BofA cuidava da mesa de juros e derivativos, e Amauri Júnior, ex-tesoureiro, criaram a Capitânia Asset Management. O fundo gerido por eles, o Capitânia Hedge FIF , não segue uma estratégia direcional ou uma orientação macroeconômica como boa parte dos que estão no mercado. Tem um foco quantitativo, baseado em dados estatísticos, aproveitando a experiência dos gestores. Matone é PhD em robótica por Stanford e Amauri Júnior é PhD em matemática aplicada por Stanford. "Nosso negócio é fazer conta e descobrir onde estão as melhores arbitragens do mercado", diz Amauri.