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Alta rentabilidade para poucos
Fonte: Jornal do Brasil | 19/04/2004

A despeito do fraco desempenho do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, que encerrou o primeiro trimestre do ano com desvalorização de 0,42%, alguns poucos - e bons - fundos de investimento fecharam o mesmo período com níveis invejáveis de rentabilidade. Caso do Globalvest Fund, que obteve retorno de 20,6%.

Administrado pela Globalvest Asset Management, o fundo ocupou a primeira posição no segmento ''Ações Ativo'' no ranking dos fundos mais rentáveis do primeiro trimestre de 2004, elaborado pelaQuantum, empresa especializada neste tipo de avaliação {www.quantumfundos.com.br}.

Assim como outros produtos campeões de rentabilidade, como o Fama Futurewatch FIA, o fundo Globalvest pertence, entretanto, a uma categoria em que não há espaço para o pequeno investidor.

Gestor da Fama Investimentos, Fábio Alperowitch explica que é de R$ 20 mil a aplicação mínima para o Fama Futurewatch FIA, que ficou em quarto lugar no ranking dos mais rentáveis na categoria ''Ações Ativo'', com retorno de 14,9%. Mais importante que isso, esclarece, é o fato de que a pessoa disposta a comprar uma cota do fundo deve enquadrar-se na categoria de investidor qualificado. Ou seja, é preciso ter ao menos R$ 250 mil investidos em outros fundos. Alperowitch diz que não concorda com a definição de que só é qualificado o investidor que tem muito dinheiro, mas acrescenta:

- De acordo com a legislação, só os produtos para investidores qualificados podem cobrar taxa de performance. E é justamente essa taxa que estimula os administradores de fundos a buscarem retornos tão superiores ao Ibovespa - ressalta o gestor.

Líder na categoria ''Renda Fixa CDI'', com retorno de 4,17% no trimestre (contra 3,76% do CDI), o Arbor Institucional DI FIF segue a mesma linha. Direcionado ao investidor qualificado, o fundo exige aplicação mínima de R$ 100 mil. Não por acaso, 90% dos que aportaram recursos nesse investimento são fundos de pensão. Os 10% restantes são tesourarias de bancos.

- Estamos fazendo um trabalho na área de private equity (fundos de investimento privados) a fim de aumentar a participação de pessoas físicas - assegura o gestor da Arbor, Christian de Almeida, acrescentando, porém, que trabalhar com clientes que dispõem de quantias menores pode ser mais complicado. - Afinal, nossas estratégias são de médio prazo. E um cliente como esse costuma não se adaptar, já que tem como objetivo movimentar o capital e muitas vezes retira os recursos do fundo pouco tempo depois de investi-los.

A estrutura enxuta das administradoras de recursos independentes é outro entrave para a participação de um número maior de investidores. Gestora da Globalvest Asset Management, Patrícia Branco conta que apenas 30% da carteira de clientes da administradora são pessoas físicas, todas com pelo menos R$ 50 mil investidos. Patrícia observa que, apesar do interesse da Globalvest, não é fácil aumentar a participação de pessoas físicas nos produtos da gestora. Esta fatia está hoje em 30%.

- Não temos uma área comercial, o que dificulta a atração desse perfil de clientes. Além disso, nosso objetivo é manter a proximidade com os investidores, dando o melhor atendimento possível. E seria muito complicado adotar essa postura caso tivéssemos um grande número de clientes - avalia Patrícia.

Sócio da Quantum, Maxim Wengert acredita que os interessados em acessar os fundos líderes em rentabilidade podem buscar distribuidores de fundos. Ou seja, investir em fundos que compram fundos. Além de não exigirem depósitos iniciais tão altos, esses fundos diversificam os investimentos, reduzindo os riscos de perdas, defende Wengert.

Os fundos mais rentáveis podem tornar-se ainda mais inacessíveis caso seja aprovada, pela CVM, a resolução que eleva de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor exigido para que um investidor seja considerado ''qualificado''.

Na opinião de um gestor independente que prefere não ser identificado, este tipo de exigência favorece os grandes bancos de varejo, que acabam por captar os investidores que não conseguem alocar seus recursos nos fundos mais bem-administrados. O gestor lembra ainda a possibilidade de que se institua um valor mínimo para a abertura de gestoras de recursos independentes, o que também ajudaria a frear o aumento da concorrência entre os fundos.