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Perdas com LFTs aumentam volume de compromissadas
Fonte: Valor Econômico | 19/04/2005

O estresse no mercado de LFTs é uma mostra de um dos motivos pelos quais os gestores rebatem tanto a exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para reduzir o percentual de operações compromissadas nas carteiras para apenas 10%. A oscilação com os títulos prefixados atrelados ao CDI começou às vésperas da semana santa e vem causando perdas a alguns fundos DIs e de renda fixa.

Antes da pressão vendedora nas LFTs longas - que fez os preços dos papéis subirem, causando prejuízos -, os fundos tinham reduzido seu volume de operações compromissadas em carteira em cerca de R$ 6 bilhões (ver gráfico), de acordo com dados do Banco Central. Por meio das operações compromissadas, o gestor do fundo transforma um título longo em uma aplicação de curtíssimo prazo mediante um acordo de recompra, em geral com a tesouraria do próprio banco, que paga ao fundo a taxa diária do CDI no período.

Com a alta dos preços dos títulos, os gestores encurtaram suas posições para evitar mais prejuízos e, muitas vezes, inclusive, fazem isso por conta de alertas acendidos por seus próprios sistemas de risco (é o chamado "stop loss").

O diretor de um grande banco de varejo diz que a redução das operações compromissadas nos primeiros dias de abril deve ter sido pontual, pois não havia nenhum motivo técnico para isso. "Não acredito que já fosse reflexo de algum gestor pensando em se adaptar à possibilidade de a regra da CVM começar a valer no médio prazo", avalia ele. "Ficamos curtos o tempo todo. Sempre achei um absurdo o prêmio praticamente zero que chegaram a ter as LFTs longas". Segundo ele, houve um momento em que o overnight (operações de curtíssimo prazo) chegou a dar 100,5% do CDI enquanto uma LFT com vencimento em 2008 rendia 101,5%. "É uma diferença ridícula para um papel que vence num dia e outro que vence em quatro anos", critica.

Paulo Vaz, diretor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM), também afirmou que a empresa não chegou a reduzir posições de curtíssimo prazo em função da possível regra futura. "Não acredito que esse movimento tenha ocorrido no mercado, deve ter sido algo pontual", diz Vaz.

De acordo com o relatório semanal da consultoria Quantum Fundos, cerca de 10% dos fundos DIs do mercado apresentaram quedas em suas cotas por conta da desvalorização das LFTs de longo prazo. Entre os fundos de renda fixa, foram cerca de 5% os prejudicados com o fenômeno. Nos multimercados, só 15% bateram a variação de 0,24% do CDI na semana.