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Volatilidade eleva prazo de carência dos fundos
Fonte: Gazeta Mercantil | 23/06/2005

A liquidez diária, segundo a superintendente de Investimentos da área de Fundo de Fundos da Unibanco Asset Management (UAM), Aline Leite Sun, dificultava a administração dos fundos multimercados. "É muito difícil assumir riscos e se preocupar com a possibilidade de saques diários. O gestor passa agora a ter mais liberdade e tranqüilidade".

No exterior, informa Aline, grande parte dos hedge funds tem prazo de carência trimestral - alguns chegam a ter prazo anual.

O sócio da consultoria de fundos Quantum, Maxim Wengert, diz que a medida reflete o amadurecimento do mercado de fundos agressivos.

"O investidor começou a perceber que, com liquidez diária, é impossível obter retornos diferenciados e passou a tolerar mais riscos", afirma. De fato, a cultura vem sendo alterada. Segundo ele, a existência de um prazo para resgate ou da cobrança de taxas de saída pode ser verificada em fundos destinados a investidores sofisticados e com perfil agressivo de investimento. Ainda que a maior parte dos fundos multimercados tenham liquidez diária.

Só para fundos fechados

A medida adotada pelo Unibanco por enquanto só é válida para as aplicações mais arriscadas dos fundos exclusivos da UAM, que são voltados para clientes private, ou seja, com mais de R$ 10 milhões investidos. As aplicações conservadores desses clientes, como em fundos DIs e de baixa volatilidade, ressalta Aline, continuam com liquidez diária.

No caso dos fundos de fundos abertos, o prazo de carência só deverá ser adotado quando do lançamento de novas carteiras. "Não há como mudar as regras no meio do caminho para fundos abertos", explica.

A área de fundos de fundos da UAM tem R$ 4 bilhões sob gestão, de clientes private, corporate, institucionais, previdência e de varejo. As carteiras da asset operam com 47 gestores e mais de 100 fundos. O foco das aplicações são os multimercados. Há ainda, segundo Aline, um fundo que aplica nos melhores gestores de ações. "Mas, falta demanda para aplicar."

Mercado

Segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os multimercados acumulam perdas de R$ 67,5 bilhões no ano, até o dia 17. O patrimônio do segmento totaliza R$ 116,8 bilhões, cerca de 18% da indústria de fundos.

Aline afirma que as perdas, no entanto, estão mais ligadas à taxa de juro do País, que proporciona um custo de oportunidade alto. Segundo a executiva, um multimercado com rentabilidade negativa não significa que esteja perdendo o principal e, sim, o custo de oportunidade. "O problema é que o investidor está viciado em ganhar 100% do CDI".

Essas carteiras, de fato, vivem um momento desfavorável. Grande parte está com o rendimento abaixo do CDI, uma vez que adotam estratégias de gestão macro-direcionais, ou seja, apostam em tendências.

Mas não há crise, afirma a executiva da UAM. "Não vejo problemas, nem quebradeira. Faz parte do amadurecimento da indústria." As expectativas, segundo ela, são positivas para o segundo semestre. Um cenário mais claro vai facilitar a gestão dos fundos. No mercado de juros, por exemplo, já começa a ser desenhada uma tendência. "O ciclo de alta acabou. A discussão é quando as taxas começarão a cair."