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Falta de tendência de ativos como a Bolsa favoreceu a expansão das carteiras long/short
Fonte: Gazeta Mercantil | 06/09/2005

Entre os recentes lançamentos no segmento de "long/short", destacam-se carteiras do Safra, que iniciou operação em maio, e do BankBoston, lançada em julho. O Bradesco também planeja para breve criar um fundo desse tipo. De acordo com o banco, não será um produto oferecido na rede, mas para atender à demanda do investidor sofisticado, que está cada vez mais exigente e disposto a assumir algum risco.

Maxim Wengert, sócio da consultoriaQuantum - especializada em avaliação de fundos de investimento -, conta que, no Brasil, os primeiros fundos a concentrar a gestão em estratégias não direcionais com ações, índices e seus derivativos surgiram em 2002. Naquele ano, o setor tinha quatro carteiras com um patrimônio total de R$ 50,3 milhões.

O maior impulso, no entanto, veio recentemente. Segundo o consultor, em agosto de 2004, o patrimônio dos fundos "long/short" e "market neutral" somava R$ 878 milhões, volume que já se aproxima dos R$ 3 bilhões. Isso sem contar as carteiras que se utilizam de operações de arbitragem, mas não como estratégia principal. Esses fundos estão classificados nas categorias multimercados ou de ações.

Para Márcio Appel, superintendente da Santander Banespa Asset Management, o Brasil está caminhando para o modelo americano, de produtos com estratégias específicas. "Estamos abrindo o leque", diz. No exterior, as operações de arbitragem já são bem difundidas, por meio dos "hedge funds".

"Essa febre de long/short tem a ver com o momento do País", afirma Roseli Machado, diretora da Fator Administradora de Recursos, que conta com fundos focados em arbitragem de ações como o Fator Alpha FI Ações, de 2003, e o Fator Arbitragem FI Multimercado, lançado em março. A executiva refere-se à falta de tendência de ativos como a Bolsa, que contribui para o crescimento dessas estratégias. Isso porque, apesar de aplicar em renda variável, os fundos de arbitragem têm baixa correlação com a Bolsa e têm como meta superar o CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro).

Roseli explica que o fundo "market neutral" opera comprado e vendido na mesma proporção, mantendo-se neutro em relação ao mercado. No caso do long/short, a arbitragem pode ocorrer entre setores, ações PN e ON de uma mesma empresa ou entre empresas do mesmo setor. E, se for identificada uma tendência para a Bolsa, o fundo pode ficar direcional, ou seja, correr o risco do mercado acionário.

Já os fundos de ações são influenciados diretamente pelo desempenho da Bolsa. "Com a volatilidade recente, essas carteiras têm tido resultados fracos", acrescenta Roseli. De fato, a Bovespa está bastante volátil. Em agosto, a Bolsa subiu 7,68%, garantindo alta de 7,05% no ano. Em janeiro, foi registrada queda de 7,04%; em fevereiro, alta de 15,55%; março e abril, desvalorizações de 5,43% e 6,64% respectivamente; em maio, alta de 1,46%; em junho, perda de 0,61% e, em julho, alta de 3,95%. "Quando há uma tendência clara de alta, como em 2003 quando a Bovespa subiu mais de 97%, o fundo de ações têm mais chances de ganhos", diz a diretora.

Diversificação

Os fundos de arbitragem aproveitam-se do momento, mas vieram para ficar. "É um produto que atrai um investidor com perfil mais conservador que o da bolsa", ressalta a diretora da Fator. Para Wengert, da Quantum, essas carteiras têm apresentado boa performance, proporcionando uma alternativa de diversificação para investimento em fundos. "Contudo, vale lembrar que esses fundos possuem gestão ativa e sofisticada, possivelmente com risco considerável."

De acordo com a consultoria, em 2005, os 32 fundos apresentam rentabilidade média de 121% do CDI; nos últimos 12 meses, os ganhos sobem para 141% do referencial.

O Boston Long Short Equities tem aplicação mínima de R$ 10 mil e taxa de administração de 1% ao ano. A estratégia do banco é cobrar mais sobre o que exceder o CDI e, nesse caso, a taxa de performance foi fixada em 40%. "É mais justo", explica Sinara Figueiredo, superintendente de Serviços de Investimentos do BankBoston. Para o banco, o lançamento veio como uma alternativa de diversificação dos recursos destinados aos multimercados.