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Fundos perdem em outubro
Fonte: Jornal de Comércio | 01/11/2005

Os fundos de privatização da Petrobras com recursos do FGTS ainda lideram o ranking de ativos no ano, com valorização de 36,39%, mesmo depois de ter registrado as maiores perdas em outubro, de 9,8%, segundo a tabela da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) até o último dia 28. Analistas acreditam que o fundo voltará a registrar ganhos neste mês. Movimento semelhante ocorreu com o fundo da Vale e com o PIBB, que tiveram alta no ano de 22,67% e de 20,61%, respectivamente, mas registraram perdas de 6,39% e de 7,1% no mês. Já os ativos do mercado de câmbio tiveram movimento oposto. O dólar comercial, após dois meses em queda, registrou alta de 0,98% em outubro devido às atuações diárias do Banco Central, mas acumula perdas de 15,14% no ano. O euro, com valorização de 0,56% no mês passado, registra a maior queda do ano, de 25,49%.

Em outubro, a liderança dos ativos no Brasil ficou com o CDI, com alta de 1,41%. No ano, os ganhos foram de 14,98%. O CDB, que no mês passado subiu 1,21%, acumula 13,74% desde o início do ano. Os fundos multimercados sem renda variável com alavancagem tiveram ganhos de 1,35% no mês e de 6,66% no ano. Os multimercados sem renda variável subiram 1,14% no mês 1 12,75% no ano. Os com renda variável valorizaram-se 0,46% em outubro e 14,88% desde janeiro; e os com renda variável e com alavancagem tiveram alta de 0,65% no mês e de 12,02% no ano.

Os fundos multimercados foram apresentados, no início do ano, como grande promessa de rentabilidade para os meses seguintes. Mas a crise política acabou atrapalhando os planos dos gestores. "Quando não há tendência definida do mercado, fica difícil obter ganhos com os multimercados. Por isso, no primeiro semestre, com a situação externa favorável e a interna desfavorável, o mercado oscilou muito, dificultando a gestão. Nos últimos dois meses, o cenário externo prevaleceu, com o arrefecimento da crise política. Agora, com uma direção mais clara do mercado, os multimercados captam mais facilmente", disse o sócio-diretor da Arx Capital, José Tovar.

O cenário externo prevaleceu sobre o interno, interferindo tanto na Bolsa de Valores de São Paulo quanto no mercado de câmbio. O temor de que os juros americanos fossem elevados de forma mais agressiva, devido às pressões inflacionárias nos EUA, fez com que o Ibovespa caísse 4,4%. Como o mercado acionário é um investimento tido de longo prazo, o ideal, segundo analistas, é observar o comportamento de vários meses. Desde o início do ano, o principal índice da Bolsa acumula alta de 15,26%. A queda no mês influenciou outros ativos da Bolsa. Os fundos de privatização da Petrobras com recursos do FGTS registraram queda de 9,8% somente em outubro, acentuada pelo arrefecimento dos preços do petróleo.

As compras de dólares realizadas pelo Banco Central reduziram a liquidez do mercado de câmbio, pressionando a moeda americana, juntamente com o temor de uma possível elevação mais forte dos juros americanos. "O BC tentou não influenciar o preço, não sendo muito agressivo, mas foi um grande cliente comprando divisas e enxugando o mercado, isso influenciou a cotação. O risco, após ter caído às mínimas históricas, subiu a cerca dos 400 pontos básicos em outubro, voltando a cair um pouco, posteriormente. Isso foi suficiente para que o capital de curto prazo saísse do mercado brasileiro, pressionando também a moeda", disse Júlio Pereira, gerente da mesa de câmbio do Banco BVA.

A tendência do dólar, de acordo com os fundamentos internos do País, ainda são de queda. Mas se o Banco Central continuar comprando moeda, poderá haver pressão até o valor de R$ 2,30 ou R$ 2,40. Acima deste patamar, analistas não acreditam que o BC continue atuando, até porque o interesse é de comprar divisas por um bom preço. O dólar paralelo não acompanha necessariamente o comercial. No mês de outubro, em que o comercial subiu 0,98%, o paralelo caiu 2,01%. Pereira explicou que, com uma menor liquidez, o mercado das casas de câmbio acaba sendo mais influenciado por operações pontuais.

Cautela com os fundos multimercados

Especialistas em fundos multimercados divergem sobre o rumo que deve ser dado às aplicações até o final do ano. O único ponto em comum refere-se ao cenário de incertezas. A taxa de juros continua alta, o que atrai o investidor para as aplicações mais conservadoras, como fundos de renda fixa, e fundos DI. Além disso, é preciso verificar a política de gestão do fundo que dá prioridade a ativos diferenciados, permitindo maior alavancagem. No entanto, mais suscetível ao risco. Outro entrave para os fundos multimercados são as altas taxas de administração cobradas para compensar a relação risco retorno, reduzindo a rentabilidade.

Após o ano de 2003, quando os fundos multimercados eram os líderes em indicações esta opção de investimento foi reduzindo seu volume financeiro aos poucos. Por conta das altas taxas de juros, o aplicador prefere optar por operações menos arriscadas, principalmente no que se refere ao custo de oportunidade. Para o gestor de multimercados da corretora Concórdia, Jorge Alberto Cabral, a tendência é de que o ano que vem traga previsões melhores para este tipo de fundo. "Tudo leva a crer que haverá um ciclo de flexibilização dos juros. Tal cenário prejudica os fundos multimercados sob o ponto de vista da relação risco e retorno", disse Cabral.

Segundo o analista, os fundos de renda fixa prefixados garantem mais segurança, com boa rentabilidade. "Neste contexto, recomendo aguardar até março do ano que vem para obter melhor rentabilidade".

O cenário de turbulência, que poderá ocorrer por conta da troca da presidência do Banco Central Americano (Fed), além das eleições nacionais deverão volatilizar o mercado ainda mais. "Neste momento há ganhos apenas com apostas pontuais", complementou Cabral. "Acredito que a mudança na perspecção de risco deve melhorar no 1º e 2º semestres". Mesmo quando as opções de investimento são diferenciadas a diferença de rentabilidade entre os fundos está diretamente relacionada à estratégia o gestor e o cenário. Os fundos multimercados buscam superar a variação do CDI no longo prazo. Além disso, este tipo de fundo tem a capacidade de ganhar em qualquer cenário.

No entanto, segundo o Sócio da Global Invest, Sérgio Damiani, o ano está sendo difícil para todos os segmentos. "A indústria sofreu bastante. A rentabilidade não tem sido tão boa assim, nem mesmo às captações", afirmou Damiani. O especialista complementou que a maioria dos investidores dá prioridade a investimentos de baixo risco. "Às vezes é melhor garantir um retorno próximo aos 19% ao ano, do que arriscar-se s para tentar ganhar 21%, ou registrar perdas, como ocorreu no início do ano". Para o sócio da Global Invest, o ideal seria focar os fundos que ficam neutros dentro deste cenário de incertezas e investem em diversas classes de ativos. "O aplicador consegue obter rentabilidade ganhando com a diferença na valorização dos ativos do mercado", explicou Damiani.

Os ganhos dependem do gestor do fundo, do perfil do investidor e das perspectivas de prazo. Todos os especialistas recomendam que a aplicação tenha que ter um prazo mais longo, para assim garantir bons resultados. Muitos acreditam que não existe momento ideal para investir em fundos multimercados. Esta idéia é compartilhada pelo sócio da Quantum Avaliação de Fundos, Maxim Wengert. Segundo o sócio da empresa que avalia o desempenho dos fundos de investimento existem vários fatores como a tolerância ao risco, o desenvolvimento do fundo e a política de gestão que afetam o mercado.