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Número cai, mas patrimônio cresce
Fonte: Gazeta Mercantil | 07/12/2005

Os fundos exclusivos, voltados para investidores institucionais, como fundos de pensão e empresas, e indivíduos com grandes fortunas, vêm passando por transformações nos últimos meses. O número de fundos vem caindo desde meados do ano passado, mas o patrimônio é crescente e hoje representa metade do setor. Em julho de 2004, os fundos exclusivos eram 2.489, com patrimônio líquido de R$ 280 bilhões, aponta a consultoria Quantum -Avaliação de Fundos de Investimento. O ano de 2005 começou com 2.400 fundos, que reuniam R$ 294 bilhões. No final de novembro, os fundos exclusivos somavam 2.206, com R$ 364 bilhões.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Marcelo Giufrida, a queda pode estar associada a vários fatores, como a Instrução 409, que revisou toda a estrutura de produtos, e a instituição no início deste ano da taxa de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Tudo isso gerou uma consolidação dos recursos em fundos maiores; uma racionalização no setor."

O presidente da BB DTVM, Nelson Rocha Augusto, também acredita em uma racionalização do uso do instrumento, até porque o patrimônio vem crescendo. "Os custos fixos aumentaram e o fundo, para ser viável, tem de ter escala", afirma. Hoje, segundo o executivo, a tendência é o investidor montar um fundo grande, com um único administrador e vários gestores. O vice-presidente de Fundos de Investimento do WestLB, Mario Carvalho, lembra ainda que o mercado passou por fusões de gestoras e, portanto, de fundos.

Dependendo do tamanho do fundo, custos como as taxas de fiscalização e de auditoria têm impacto grande sobre a rentabilidade da aplicação. Segundo o consultor de investimentos Eduardo Santalúcia, um fundo de renda fixa com R$ 3,5 milhões, por exemplo, já parte de um rendimento de 96% do CDI (o benchmark do setor).

Pelos seus cálculos, mesmo que os recursos fiquem aplicados a um CDI médio de 17% no próximo ano, com o desconto de despesas de cerca de R$ 5 mil - R$ 3,6 mil de taxa de fiscalização e R$ 1,5 mil de auditoria -, o fundo terá apurado ganhos líquidos de 16,85%. Se acrescentada uma taxa de administração de 0,5% ao ano, o rendimento líquido cai para 16,35%, ou 96% do CDI.

"Se o patrimônio é pequeno (até R$ 15 milhões), é preferível aplicar diretamente nos fundos abertos ou por meio de carteiras administradas", afirma Santalúcia. Isso porque as despesas fixas acabam se diluindo quando o patrimônio é grande, como no caso dos fundos abertos. Segundo ele, isso vale principalmente para aplicações mais conservadoras, como fundos DI.

Santalúcia ressalta, porém, que o fundo exclusivo com patrimônio inferior pode ser interessante se o cliente quiser diversificar seus investimentos. Isso por conta da gestão especializada.