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Grandes bancos de varejo têm a maior fatia
Fonte: Gazeta Mercantil | 14/12/2005

O mercado brasileiro de administração de recursos de terceiros, que atingiu patrimônio líquido de R$ 732,565 bilhões no final de outubro, segundo a Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), continua bastante concentrado. Segundo dados da consultoria Quantum, os gestores ligados a bancos de varejo - 35 no total - detêm 91,1% desse patrimônio. Já as 144 empresas que não têm vínculo com bancos de rede (os independentes e ligados a bancos de investimento) administram apenas 8,9% do total de recursos.

"O setor sempre foi concentrado e vai continuar assim", afirma Paul Gruppo, da Roland Berger Strategy Consultants. Na sua opinião, a indústria de fundos no Brasil é um negócio de distribuição no varejo, um produto de banco e, por isso, espelha o setor bancário, que é "razoavelmente concentrado".

Para se ter uma idéia, a lista com os dez maiores administradores de recursos do mercado é praticamente a mesma há anos. Os gestores que ocupavam as dez primeiras posições no final de 2003 são os mesmos em outubro de 2005, com exceção do BankBoston, que cedeu a décima posição para o Banco Pactual. De acordo com o ranking elaborado pela Anbid, os dez maiores, tanto em dezembro de 2003 como em outubro de 2005, administram mais de 80% do patrimônio total.

Segundo Gruppo, a concentração é mais evidente entre os clientes da faixa conhecida como afluentes, com renda acima de R$ 4 mil ou aplicações superior a R$ 50 mil. "O cliente pessoa física que tem dinheiro para aplicar tende a olhar para os fundos de seus bancos ", diz. Esse é o modelo brasileiro. Nos EUA, compara o especialista, o cliente é atendido por um corretor independente que vende produtos de gestoras especializadas.

Gruppo informa ainda que, à medida que muda o tamanho do investidor, a concentração tende a diminuir. Segundo ele, o cliente "private" do banco (com mais de R$ 3 milhões de recursos para aplicar) já tem acesso a produtos mais sofisticados de gestores independentes. Mas, sempre através dos bancos, destaca. "Na área de private de grandes bancos, é comum a distribuição de fundos de terceiros para completar a prateleira de produtos", diz. "Assim, o banco mantém o dinheiro dentro da instituição."

Entre os clientes pessoa jurídica, como empresas e investidores institucionais, o mercado também é concentrado nos grandes bancos, não por conta do canal de distribuição mas pelos custos. Gruppo explica que, como esses clientes tendem a colocar seus recursos em aplicações de renda fixa ou DI (produtos menos sofisticados), pagam taxas menores de administração. Modelo esse que só os grandes bancos conseguem viabilizar, porque têm escala, ou seja, administram os grandes volumes de recursos de clientes pessoa física, que pagam as maiores taxas do setor.

No caso dos investidores que alocam parte dos recursos em renda variável e multimercados, produtos que exigem uma gestão mais sofisticada, a taxa de administração cobrada tende a ser maior, o que abre espaço para os gestores não ligados a grandes bancos de rede.