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Fundos de investimento ampliam a captação
Fonte: Gazeta Mercantil | 07/03/2006

Fundos de investimento ampliam a captação

Os fundos de investimento captaram R$ 7,129 bilhões em fevereiro. No ano, os ingressos superaram R$ 21 bilhões, elevando o patrimônio a R$ 804,9 bilhões, segundo a Quantum. Os multimercados e fundos de renda fixa destacaram-se na preferência do aplicador.

Em busca de mais retorno diante da perspectiva de queda da Selic, a tendência do investidor é de migração para fundos de maior risco, diz o sócio da RiskOffice, Fernando Lovisotto.

Captação dos fundos supera os R$ 21 bilhões no ano

Multimercados e renda fixa concentram fluxo; patrimônio do setor chega a R$ 804,9 bi. Os fundos encerraram fevereiro com captação líquida de R$ 7,129 bilhões; no acumulado do ano, os ingressos superaram os R$ 21 bilhões, segundo dados da a consultoria Quantum. Os multimercados e as carteiras de renda fixa são destaque na preferência dos investidores em 2006, com entradas de R$ 5,899 bilhões e R$ 13,059 bilhões, respectivamente. O patrimônio líquido do setor somava, no final de fevereiro, R$ 804,9 bilhões.

"O primeiro trimestre tende a ser mais forte em captação, mas os meses de janeiro e fevereiro surpreenderam", afirma o diretor vice-presidente da asset management do BNP Paribas, Marcelo Giufrida. Para o executivo, a boa performance dos fundos e o cenário econômico mais tranqüilo estimularam os ingressos. "Com a queda dos juros, o investidor passa a buscar fundos com metas de retorno mais ambiciosas."

O sócio da consultoria RiskOffice, Fernando Lovisotto, destaca que, além de dinheiro novo, há migração dos fundos mais conservadores, como os DI, para multimercados, prefixados, crédito, fundos de recebíveis e ações. "Até porque o juro vai cair e o investidor vai buscar mais retorno", afirma. "Qualquer um que tenha mais de 50% de seus recursos em DI, está correndo muito risco."

Na opinião do especialista, esse movimento de captação dos fundos menos conservadores é apenas o começo; há muito espaço para migração. E essa é a hora para diversificar, a fim de aproveitar os prêmios. Segundo Lovisotto, a tendência é de redução dos ganhos, principalmente com a entrada de estrangeiros em Bolsa e renda fixa.

E foi justamente a rentabilidade da Bolsa, dos títulos prefixados, indexados à inflação, entre outros, que contribuíram para a boa performance dos multimercados e fundos de renda fixa. Na Fator Administração de Recursos (FAR), o Hedge Multimercado obteve uma rentabilidade de 4,80% nos primeiros dois meses, bem acima do CDI. "Adotamos uma estratégia bastante otimista", explica a diretora da FAR, Roseli Machado. O fundo fez apostas em Bolsa, ficou comprado em juro prefixado (apostando na queda do juro) e vendido em câmbio (assumindo uma queda do dólar), informa. A carteira, que cresceu 45% nos últimos quatro meses, atingiu patrimônio de R$ 132 milhões.

Para Roseli, este é o ano dos multimercados. "Com o movimento efetivo de queda de juros e a perspectiva de novas reduções, há uma disposição maior para a diversificação." Em 2005, esses fundos foram prejudicados pelo juro alto e desempenho fraco. Já os fundos de renda fixa devem sofrer uma diminuição do ritmo de captação, na opinião de Roseli. Os investidores que se posicionaram em prefixados já foram compensados com boa rentabilidade nos últimos meses, acrescenta Giufrida. "Boa parte da queda do juro já foi precificada. Ganhos maiores só com uma surpresa na inflação, forçando o aumento da velocidade na queda da Selic."

O desafio é dos fundos de ações. Giufrida não vê um movimento intenso de recursos para essas carteiras, que vêm mantendo a participação na indústria muito mais pela valorização das ações do que por captação.