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Os fundos multimercado já captaram 11 bi
Fonte: Gazeta Mercantil | 04/04/2006

A queda de juros, iniciada em setembro do ano passado, beneficiou os fundos de investimento multimercados. Só neste ano, essas carteiras, que têm flexibilidade para explorar as oportunidades de ganhos nos mais variados mercados, já captaram R$ 11 bilhões e registram rentabilidade média de 127,6% do CDI (juro interbancário), segundo a consultoria Quantum.

Em 2005, os multimercados tiveram resgates de R$ 2,9 bilhões. Mas começaram a esboçar recuperação no segundo semestre: os ingressos nesse período foram de R$ 1,9 bilhão. O retorno ainda ficou abaixo do CDI (97,8% do indicador).

Pelo ritmo atual, a captação dos multimercados neste ano vai superar o fluxo de 2003 (R$ 26 bilhões) e 2004 (R$ 10,1 bilhões). Nem mesmo a crise política deve prejudicar o desempenho desses fundos.

B-1 (Gazeta Mercantil/1ª Página - Pág. 1) (Alessandra Bellotto)

Os fundos multimercados já...

Queda de juros impulsionou a recuperação; retorno médio vai a 128% do CDI. A recuperação dos fundos multimercados começou no segundo semestre de 2005. Com a perspectiva de flexibilização dos juros, o investidor se viu estimulado a diversificar suas aplicações em busca de rentabilidade. Nesse período, o fluxo de recursos para esses fundos foi de R$ 1,934 bilhão e o retorno médio, 97,82% do CDI (juro interbancário).

"Os gestores acertaram a mão", afirma o sócio da Quantum, Maxim Wengert, com a ressalva de que os multimercados ganham dinheiro de diferentes maneiras. Entre as estratégias que se mostraram vencedoras ao longo do ano, na sua avaliação, destacaram-se a arbitragem com ações (long and short) e as apostas na desvalorização do dólar. Valmir Celestino, superintendente de renda variável e multimercados da Safra Asset Management, concorda. Segundo ele, a boa performance ao longo do ano foi balizada por dois movimentos principais: "o dólar caiu bastante e a Bolsa subiu bem".

O economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia, ressalta que a grande vantagem dos multimercados é que eles não dependem de cenário específico. "Toda vez que há uma mudança, o gestor pode redefinir suas posições." Na GAP, as apostas concentraram-se também na alta da Bolsa e da taxa de câmbio, além da queda dos juros. Para o economista, o grande desafio é saber quando é hora de sair do mercado. "Como em dezembro, quando o dólar bateu os R$ 2,40", conta. "O gestor tem de olhar para os fundamentos mas também ter agilidade na tomada de decisão."

O cenário positivo e a boa performance dos multimercados estimulou os lançamentos de fundos. Segundo a Quantum, 96 multimercados, entre exclusivos (72), previdenciários (11) e para o investidor do varejo (13), iniciaram operação neste ano e outros sete fecharam para captação. "Com o fluxo intenso, o patrimônio dessas carteiras cresceu muito, colocando em risco sua performance", explica Wengert.

A Safra fechou para captação o fundo High Yield em fevereiro. Segundo Celestino, a carteira, de 2003, atingiu patrimônio líquido de R$ 510 milhões. Neste ano, nos dois meses em que ficou aberta, a captação foi de R$ 40 milhões; em 2005, o fluxo foi de R$ 180 milhões. "O fundo cresceu bastante e decidimos limitar a captação, por enquanto", conta. O High Yield, que aplica em títulos de renda fixa, ações, dólar, bateu os 107% do CDI em 2005. Neste ano, até o dia 28, rendia 111,89% do referencial.

A GAP abriu dois fundos em 2006. O Multiportfólio 30 (com carência de 30 dias para resgate), com patrimônio de R$ 45 milhões, foi criado em fevereiro, segundo Maia, para atender a uma demanda reprimida de investidores. É que o fundo original, o GAP Multiportfólio, foi fechado para novos aportes neste ano, ao atingir R$ 400 milhões de patrimônio - no ano, até o 31, a rentabilidade da carteira estava em 182,5% do CDI. A gestora também deu início às operações do GAP Absoluto, fundo pouco mais agressivo. Neste ano, os multimercados da GAP registram captação de R$ 200 milhões. Também na ARX Capital Management o forte interesse do investidor fez a gestora abrir um novo multimercado. Nos moldes do ARX Long and Short, fechado neste ano para captação com R$ 227 milhões em ativos e rentabilidade de 140% do CDI até 31, nasceu o ARX Long and Short 30 (com 30 dias de carência). O fundo ficou aberto por apenas cinco dias e captou R$ 108 milhões.

A ARX tem ainda outros três multimercados. O ARX Extra, que adota a estratégia "macro" (acompanha tendências macroeconômicas), conta com R$ 640 milhões em ativos, dos quais R$ 230 milhões foram captados neste ano. Acumula retorno de 171% do CDI.