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Petrobras e Vale, na mira do investidor
Fonte: Gazeta Mercantil | 20/04/2006

A boa performance dos fundos de ações da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce vem atraindo cada vez mais a atenção do investidor. Segundo levantamento da consultoria Quantum, neste ano (até o dia 17), as carteiras que aplicam em ações da Petrobras acumulam rentabilidade média de 19,33%. Já os fundos de ações da Vale estão com rendimento de 9,05% em 2006. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), acumula alta de 14,97% e o CDI, juro interbancário que acompanha a taxa Selic, tem variação de 4,67%.

Esses fundos tendem a acompanhar o movimento das ações das empresas em que aplicam. Apesar da valorização registrada tanto pelos papéis da Petrobras como pelos da Vale do Rio Doce neste ano, os analistas de mercado afirmam que ainda há espaço para novas altas. Segundo projeções do banco de investimento Bear Stearns, as ações PN da Petrobras, que já subiram 28% em 2006, ainda contam com um potencial de valorização adicional de 12% até o final do ano. No caso de Vale PNA (ação preferencial de classe A), a analista do Banif, Catarina Pedrosa, estima que há espaço para uma alta de mais 40% até o final do ano - a ação já subiu 12% em 2006.

As alternativas

O investidor conta hoje com oito opções de fundos Petrobras e oito de Vale do Rio Doce, além de uma carteira lançada em fevereiro pela BRB DTVM, que compra ações das duas empresas (BRB Petrovale). Até o final do ano passado, muitos fundos estavam fechados para novos aportes, mas o forte interesse dos clientes levou os bancos a reabri-los. A mais recente investida veio da ABN Amro Asset Management, que desde o último dia 10 voltou a aceitar aplicações nos fundos Petrobras e Vale distribuídos na rede de agências do ABN Amro Real e Sudameris. Bancos como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Bradesco já tinham reaberto seus fundos no final do ano passado, também para atender a uma demanda de investidores.

Panorama do mercado

As perspectivas positivas para a Petrobras estão ligadas à cotação do petróleo e derivados no mercado internacional, destaca Gláucia de Castro Quinto, responsável pela área de pesquisa de renda variável da ABN Amro Asset Management e analista de energia. "No curto e médio prazo, os preços deverão se manter em patamares bem elevados, por conta do crescimento mundial e do aumento da demanda", afirma. Ontem, o barril de petróleo do tipo WTI com entrega para maio bateu novo recorde em Nova York, fechando em alta de 1,2%, a US$ 72,17.

Segundo a analista, o preço médio deverá ficar em torno de US$ 60 neste ano. Para 2008, as estimativas são de um preço médio de US$ 45, levando em conta a média histórica dos últimos anos. Gláucia ressalta, no entanto, que o mercado tem se surpreendido em suas projeções de longo prazo, provocando sempre uma revisão para cima das estimativas de preços.

Ela destaca, ainda, os bons números da Petrobras, como a previsão de crescimento anual de 9,1% na produção e investimentos de US$ 56 bilhões (grande parte com recursos próprios) nos próximos cinco anos. "Das empresas mundiais, a Petrobras está entre as que mais crescem ", informa. Outro ponto importante é que, em 2006, pela primeira vez, a companhia terá superávit na sua balança comercial, entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, graças ao aumento da produção.

Já as perspectivas para as ações da Vale são favoráveis, principalmente no longo prazo. Neste ano, o desempenho dos papéis da empresa está sendo afetado pelas indefinições em torno do reajuste de preços do minério de ferro. Mas, segundo o analista de commodities da ABN, Paschoal Paione, com a economia mundial crescendo a um ritmo acelerado, principalmente na China, a demanda por investimentos tende a aumentar significativamente, puxando os preços do minério de ferro.

"A demanda está muito acima da oferta, que opera a plena capacidade", argumenta. E a tendência no médio prazo, segundo ele, é de que o mercado continue apertado, reforçando as perspectivas de alta de preços. Neste ano, os preços devem subir entre 15% e 25%, em dólar. Em 2005, a alta foi de 71%. "Quanto maior os preços, maior a margem Ebtida (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) da Vale", afirma.

A Vale do Rio Doce, ao lado das mineradoras BHP Billiton e Rio Tinto, domina 70% do mercado mundial. Enquanto as projeções para a economia global forem de crescimento, as commodities metálicas continuarão batendo recordes.