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Os dividendos do ouro negro
Fonte: Forbes | 28/04/2006

No rastro das máximas históricas do preço do petróleo no mercado internacional e da proximidade da auto-suficiência brasileira na produção da commodity, analistas do setor começam a ampliar as expectativas para a valorização das ações da Petrobras em 2006. Antes de terminar o primeiro terço do ano, a ação preferencial da companhia, a mais líquida no mercado, acumulava alta de 24%, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 18%.

Embora alguns especialistas avaliem que é preciso esperar um pouco para saber se a escalada do óleo, cujo barril do tipo WTI superou recentemente a inédita marca dos US$ 70, vai se manter, há quem já veja outros motivos para otimismo. No último dia 18 de abril, o banco de investimentos Bear Stears, que já tinha recomendação de compra para as ações da petroleira, elevou o preço-alvo dos papéis, com expectativa de que os ativos subam pelo menos mais 12% até o final do ano. "Acreditamos em aumento das margens sobre refino de óleo no primeiro semestre", diz o relatório.

A observação acompanha uma análise cada vez mais corrente entre analistas, especialmente os de instituições internacionais: a de que a Petrobras vem crescendo velozmente não apenas em produção e lucratividade, mas também em eficiência. A constatação apareceu recentemente no ranking das maiores empresas do mundo da revista Forbes, no qual a estatal saltou da 88ª colocação em 2005 para a 51ª neste ano, movimento patrocinado em grande parte pelo lucro recorde de R$ 23, 7 bilhões da petroleira no ano passado.

E parece não haver dúvida que este número será superado este ano, que deve marcar a auto-suficiência do País na produção do óleo. É no alcance dessa meta que deve ser consumida parte dos R$ 26, 2 bilhões em investimentos previstos pela companhia para 2006. Em março, a produção diária atingiu 1, 75 milhão de barris. Com a operação das plataformas P-50 e P-51, esse número deve crescer em 280 mil barris diários, superando a necessidade do País, estimada em 1, 85 milhão.

Para Marcos Paulo Fernandes, analista da Fator Corretora, o foco da companhia agora deve ser o investimento em refino. "Ainda teremos de importar óleo refinado. A auto-suficiência completa só deve acontecer entre 2008 e 2010", prevê.

Segundo ele, esse quadro deve contribuir para a valorização das ações no longo prazo. "As ações da Petrobras ainda são subvalorizadas na comparação com os papéis de outras companhias estrangeiras do setor", diz Fernandes. Nesse sentido, avalia que a tendência de queda da taxa de risco-País também deve reduzir o receio dos estrangeiros por papéis de companhias domésticas, ampliando o horizonte positivo para as ações da petroleira.

Os fundos de ações da Petrobras, que reúnem patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1, 5 bilhão, são destaque de rentabilidade neste ano. Segundo levantamento da consultoria Quantum, essas carteiras acumularam ganhos de 19, 33% em 2006 até o último dia 17, bem acima dos 14, 97% de valorização do Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), e dos 4, 67% do CDI, juro interbancário que acompanha a variação da taxa Selic. Também nos últimos 12 meses, o retorno dos fundos Petrobras, de 83, 18%, está acima do Ibovespa (56%) e do CDI (18, 64%).

A boa performance das carteiras que aplicam em ações da Petrobras tem despertado o interesse do investidor. Tanto é que os bancos decidiram reabrir seus fundos para captação, depois de cinco anos de atividade. Esse movimento começou no final do ano passado. A mais recente investida veio da ABN Amro Asset Management, que desde o dia 10 vem aceitando novas aplicações nos fundos Petrobras, distribuídos na rede de agências do ABN Amro Real e Sudameris.

No total, são oito os fundos de ações Petrobras abertos para captação, nos bancos Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Safra e Unibanco, além do ABN e Sudameris. Já a BRB DTVM abriu em fevereiro um fundo que aplica em ações da Petrobras e também da Companhia Vale do Rio Doce, que foi batizado de BRB Petrovale.

Esses fundos tendem a acompanhar o movimento das ações da Petrobras. Mesmo com a forte valorizações dos papéis da empresa, os analistas afirmam que ainda há espaço para novas altas.

Segundo a analista de energia Gláucia de Castro Quinto, responsável pela área de pesquisa de renda variável da ABN Amro Asset Management, as perspectivas favoráveis estão ligadas à cotação do petróleo e derivados no mercado internacional. "No curto e médio prazos, os preços deverão se manter em patamares bem elevados, por conta do crescimento mundial e do aumento da demanda", afirma.

Segundo projeções da analista, o preço médio do barril do tipo WTI deverá ficar em torno de US$ 60 neste ano. Para 2008, as estimativas são de um preço médio de US$ 45, levando em conta a média histórica dos últimos anos. Gláucia ressalta, no entanto, que o mercado tem sido surpreendido em suas projeções de longo prazo, gerando sempre revisões para cima dos preços-alvo.

Ela destaca, ainda, os bons números da Petrobras, como a previsão de crescimento anual de 9, 1% na produção e investimentos de US$ 56 bilhões (grande parte com recursos próprios) nos próximos cinco anos. "Das empresas mundiais, a Petrobras está entre as que registram os maiores crescimentos", informa. Outro fator importante é que neste ano, pela primeira vez, a companhia terá superávit na sua balança comercial entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, graças ao aumento da produção.

Os fundos de ações da Petrobras surgiram para intermediar a compra de ações ON da empresa, em oferta pública realizada pelo BNDES, em agosto de 2000. Chamados à época de fundos de privatização, podiam receber aplicações com recursos próprios (via fundos de ações) ou da conta vinculada ao FGTS (via Fundos Mútuos de Privatização, FMP-FGTS).