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Fundos sofrem, mas no final garantem ganhos
Fonte: Gazeta Mercantil | 29/05/2006

O nervosismo provocado pelas incertezas quanto à alta dos juros americanos na última semana também afetou os fundos de investimentos brasileiros. "Foi uma semana com elevada volatilidade nos mercados e, como conseqüência, a cota de muitas carteiras apresentou grande oscilação no período", explica o sócio da consultoria Quantum, Maxim Wengert.

O movimento atingiu principalmente os fundos multimercados e de renda fixa que aplicam em títulos públicos atrelados à inflação e prefixados. Levantamento daQuantum aponta que, na semana passada até o dia 25, os multimercados tiveram perda nominal de 0,3%, mas no ano ganham 5,79%. Já os de renda fixa ficaram praticamente estáveis (alta de 0,04%) na semana; no ano o retorno é de 5,88%.

"Fundos com mais risco sofrem mais", diz Mário Carvalho, diretor de gestão de fundos do WestLB. Na sua opinião, enquanto não houver uma melhor definição do cenário externo, a volatilidade permanecerá, mas em menor grau. "O pior já passou; o investidor já redefiniu suas posições."

Multimercados captam R$ 140 milhões na semana, apesar da forte oscilação das cotas. Mesmo com a perda de rentabilidade, os fundos multimercados ainda registraram captação. O fluxo de recursos na semana, segundo levantamento da Quantum, foi de R$ 140,5 milhões; no ano, essas carteiras captam R$ 10,3 bilhões. Já os fundos de renda fixa tiveram resgates de R$ 314,4 milhões na semana, mas no acumulado de 2006 registram entradas de R$ 19,5 bilhões.

Investidor mais maduro

Segundo o diretor de gestão dos fundos do WestLB, Mário Carvalho, como o mercado deverá continuar volátil até uma definição da taxa de juro americana e ainda pelas eleições presidenciais no Brasil, pode haver algum resgate no setor. Com o aumento da aversão ao risco, que pressiona para cima o dólar e, conseqüentemente, a inflação, o Banco Central brasileiro deverá frear o ritmo de corte dos juros locais.

A moeda americana já subiu 7,79% em maio até sexta-feira, mas no ano continua com desvalorização de 3,79%.

Para Maxim Wengert, sócio da Quantum, apesar da turbulência, os fundos não tiveram grandes problemas. "Isso é conseqüência da evolução da grande maioria das empresas de gestão e de seus mecanismos de controle de riscos, bem como da maturidade dos investidores com maior entendimento dos riscos assumidos ao aplicar em determinados fundos."