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Especial 2006 - Fundos de investimento
Fonte: Isto é - Dinheiro 31/05/2006

Este é o cenário: os juros básicos da economia estão quatro pontos percentuais mais baixos do que há um ano; o Ibovespa, 12 mil pontos acima do patamar de 12 meses atrás e a inflação cabe com folga dentro da meta. Em compensação, o céu de brigadeiro de um ano atrás hoje exibe nuvens ameaçadoras, como a que provocou um mini-crash nos mercados na semana passada. Na segunda-feira 22, a Bovespa teve sua maior baixa do ano (3,28%). Na quarta, o dólar subiu quase 5% e superou R$ 2,40. Juros em queda e aumento da volatilidade são sinais aparentemente contrários que, no entanto, mandam uma mensagem clara ao mercado: mudaram as oportunidades de investimento. Cada vez mais, é preciso enfrentar certos perigos para conseguir melhores retornos. Fundos de ações, fundos multimercados e fundos atrelados à inflação começam a quebrar a monotonia do cardápio do investidor brasileiro. “Saímos daquele ciclo de aperto monetário que levou o investidor a evitar o risco porque a ‘taxa de conforto’ (lucro sem ameaças, graças aos juros estratosféricos) era muito alta”, observa o ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo.

Isso quer dizer que a indústria de fundos vai mudar. A tal taxa de conforto será muito menor. E a decisão de investimento ficará menos óbvia. “Antigamente, na dúvida, você deixava o dinheiro em um fundo DI”, lembra Eduardo Castro, superintendente de renda fixa do Banco Real ABN. “Agora, não dá mais para usar o piloto automático.”

Diante desta nova realidade, o já tradicional especial Fundos de Investimento da DINHEIRO reúne informação e análise para ajudar você leitor a enfrentar o risco necessário sem abrir mão da máxima segurança. Prós e contras dos fundos multimercados, que se revelaram as vedetes do mercado neste primeiro semestre. Novidades para quem quer lucrar mais sem abandonar a proteção da renda fixa. Cenários para fundos de ações, uma didática entrevista sobre planos de previdência, novas oportunidades no mercado imobiliário. Há um pouco de tudo, para quase todos os bolsos. Só não há quem recomende o investimento nos desprestigiados fundos cambiais. “Pode ser melhor do que comprar dólar. Mas é pior do que qualquer outra aplicação”, resume o veterano gestor Dorio Ferman, do Banco Opportunity.

Pelo segundo ano consecutivo, o guia vem reforçado com os rankings das aplicações mais rentáveis nas principais categorias do mercado: fundos de ações, cambiais, DI, multimercados e renda fixa. Com novidades. Além da divisão por valores mínimos de investimento e das taxas de administração de cada fundo, as listas elaboradas pela consultoria Quantummostram quais aplicações cobram taxa de performance (elevando os custos do investidor ao aplicar em um fundo) e atribuem a elas notas de risco. “A medida de risco possibilita que o investidor verifique como o fundo se relaciona com seu perfil e grau de tolerância ao risco”, explica Maxim Wengert, sócio da Quantum Avaliação de Fundos de Investimento.

O ano de 2006 tem sido marcado pela animação dos investidores com a economia brasileira. A captação dos fundos cresceu 160% no primeiro trimestre, bateu em R$ 39,9 bilhões e superou todo o ano de 2005. As categorias de renda fixa e DI ainda respondem por mais de 50% desse total: R$ 482 bilhões. Mas os multimercados (que diversificam riscos e oportunidades com operações em renda fixa e variável, commodities e índices) ganham novos adeptos a cada dia e já contam com patrimônio R$ 146 bilhões. “Quem está experimentando esse tipo de fundo pela primeira vez naturalmente se assusta com uma turbulência como a que estamos atravessando agora”, diz Roseli Machado, diretora da Fator Administração de Recursos. “Mas é preciso ter calma para não perder dinheiro sacando os recursos na hora errada”, adverte. Num horizonte de 12 meses, acredita ela, o cenário de juros em queda e oportunidades na bolsa continua promissor para quem tiver apetite para risco.