INSTITUCIONAL

VoltarNOTÍCIAS

Queda de juro estimula criação de multimercados
Fonte: Gazeta Mercantil | 17/07/2006

Fundos continuam atraindo investidor; desde o início do ano, captação supera R$ 15 bi. Os fundos multimercados continuam entre as principais apostas dos gestores de recursos. Nem mesmo as turbulências que afetaram os mercados em maio (provocada pelas incertezas quanto à alta do juro americano) e as eleições presidenciais no Brasil levaram à uma redução do ritmo de lançamentos e de captação de recursos. Desde o início do ano, 35 multimercados foram criados. Incluindo os exclusivos e as carteiras para não-residentes, os novos fundos aproximam-se de cem, aponta levantamento da consultoria Quantum. Gestores como Rio Bravo e Banco Pátria se preparam para lançar seus fundos. A Rio Bravo, segundo o sócio-diretor Paulo Bilyk, já está testando o multimercado, com recursos de sócios.

Diferentemente do ano passado - quando os multimercados tiveram resgates de R$ 3 bilhões, segundo a Anbid -, em 2006, a captação já supera os R$ 15 bilhões, informa a Quantum. O patrimônio líquido dos multimercados no último dia 7 somava R$ 161,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 19% do total da indústria.

"Estamos vivendo um momento inverso do que foi o começo do ano passado", afirma o diretor de produtos da BNP Paribas Asset Management, Luiz Sorge. Fim do ciclo de alta de juros, crise do "mensalão, queda da Bolsa - tudo isso gerou um movimento de migração para ativos mais conservadores no início de 2005. Neste ano, segundo Sorge, dos recursos que entraram no setor de fundos, um terço foi para multimercados. Para ele, com a queda de juros, o investidor passou a assumir mais risco para ter um melhor retorno.

Nem a volatilidade que marcou o comportamento dos ativos em maio e junho assustou. Na opinião do sócio-diretor da Fides Asset Management, Mário Van Erven, isso mostra que o investidor está mais maduro, de olho no longo prazo. "Esses últimos meses confirmam isso. O mercado ficou bem volátil, mas não houve saques expressivos."

O sócio da Hedging-Griffo Asset Management, Ricardo Campos, acrescenta que muito do amadurecimento do investidor deve-se a "um processo de venda bem feito". Quem investe em multimercado tem de ser alertado para os riscos aos quais a carteira está sujeita e que volatilidade faz parte.

Uma mostra de que o apetite do investidor por ativos de maior risco continua forte foi a demanda registrada pelo Fides Long Short Plus. No final de junho, a gestora reabriu a carteira para captar uma tranche de R$ 21 milhões. A demanda foi de R$ 50 milhões, conta Van Erven. O Fides Hedge Plus HG, distribuído pela Hedging-Griffo, já atraiu R$ 22,5 milhões desde a abertura, em 3 de julho.

O desempenho negativo de alguns fundos em maio e junho não foi suficiente para prejudicar o resultado de 2006, lembra Campos. No acumulado do ano (até o dia 7), a rentabilidade média dos multimercados está em 8,71%, acima do CDI (benchmark), com variação de 8,06%, segundo aQuantum.

Para Leonardo Garrido, sócio da consultoria, o aumento da volatilidade nos fundos não gerou grandes problemas, por conta do controle de riscos adotado na gestão, da evolução da legislação e do monitoramento do setor. "O bom entendimento dos riscos assumidos por parte dos investidores também contribuiu para amenizar os impactos da forte volatilidade."

O futuro é incerto e, com isso, os mercados continuarão voláteis. Para Sorge, as eleições não preocupam; o foco ainda será o cenário externo. "As perspectivas são positivas. Não vejo nuvens negras", ressalta. "Volatilidade é risco e risco é oportunidade de ganho."