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Multimercado reconquista o investidor e lidera captação
Fonte: Gazeta Mercantil | 14/08/2006

Os fundos de investimento multimercados - mais flexíveis para explorar as oportunidades dos diversos mercados - retomaram a confiança do investidor. De todo o volume captado pela indústria de fundos ao longo de 2006, essas carteiras lideraram as aplicações com cerca de 40%, ou R$ 18,3 bilhões, destaca levantamento da consultoria Quantum. Com esse fluxo de recursos e um retorno médio de 11%, o patrimônio dos multimercados superou os R$ 152 bilhões, o que corresponde a uma participação de 18,6% no setor (com volume de R$ 817,3 bilhões).

O movimento representa uma reversão do que ocorreu em 2005, quando os multimercados sofreram resgates de quase R$ 3 bilhões e tiveram sua participação na indústria de fundos reduzida de 29% em janeiro para 17,6% no final do ano. A alta dos juros durante boa parte do ano, a crise do mensalão e o fraco desempenho da Bolsa afastaram o investidor dos multimercados, uma que vez que a aplicação tem um nível de risco maior. Mas, a partir de setembro, quando foi dado início ao corte da Selic, esse mercado começou a apresentar recuperação, mas ainda não o suficiente para anular as perdas do ano.

"Queda de juros e boa performance explicam o desempenho positivo dos multimercados", avalia Fernando Ganme, sócio da Capital Serviços de Agente Autônomo, distribuidora de fundos com foco em produtos de risco. De fato, toda vez que a tendência do juro apontava para baixo, os multimercados aumentavam seu peso no setor. Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) mostram que, entre dezembro de 2002 e dezembro de 2004, a fatia dos multimercados passou de 26,6% para 29,6%, enquanto a taxa Selic caiu de 25,50% para 17,25% ao ano.

O gestor da Mauá Investimentos, Lourenço Tigre, reconhece que a dinâmica da taxa de juros e o ambiente macroeconômico - com o País menos vulnerável a crises e inflação controlada - foram fundamentais para que o investidor começasse a pensar na sua poupança com uma visão de mais longo prazo e buscar ativos que gerassem uma rentabilidade melhor. Mas, na sua opinião, há um outro fator importante que explica o bom desempenho dos multimercados: o amadurecimento da indústria.

"Os investidores estão mais confortáveis com esse tipo de aplicação, uma vez que entendem melhor o nível de risco a que estão sujeitos e, conseqüentemente, suportam melhor a volatilidade desses fundos, em troca de melhores retornos", explica. Além disso, ele ressalta o amadurecimento do ponto de vista da gestão, uma vez que os multimercados começam a formar um histórico, ainda que recente, e com isso ganhar mais credibilidade.

Isso explicaria, inclusive, o fato de os multimercados terem resistido bem à volatilidade do mês de maio, provocada pela indefinição quanto ao juro americano. No geral, esses fundos não sofreram resgates, nem mesmo com o fato de algumas carteiras terem perdido rentabilidade. "Também para o analista da Hedging-Griffo, Luiz Parreiras, esse movimento reflete o amadurecimento do investidor. "Em anos anteriores, qualquer sinal de volatilidade e fraca performance gerava uma ondas de resgates", informa.

Parreiras afirma que os multimercados ganharam muito dinheiro no início do ano, por conta do cenário claro para os ativos (juro em queda, apreciação do real e performance positiva para a Bolsa), da forte liquidez, do fluxo intenso de estrangeiros e da ausência de crises. "Já maio foi um mês difícil, mas boa parte dos gestores conseguiu proteger seus ganhos no ano, ou seja, já estava colocando o dinheiro no bolso", destaca. E os investidores, acrescenta Tigre, perceberam que fez sentido ter mantido suas aplicações. A média de retorno dos multimercados em 2006 está em 11%, acima dos 9,37% do CDI. Fundos como o Hedging-Griffo Verde e o multimercado da Mauá, por exemplo, acumulam ganhos bem superiores, de 18,53% e 20,89%, respectivamente.

O sócio da Quantum, Maxim Wengert, acrescenta que a captação significativa dos multimercados neste ano é reflexo do desenvolvimento da indústria de fundos ao longo dos anos, por conta da evolução da legislação, de divulgação de informação, ferramentas de análise disponíveis aos investidores e estratégias sofisticas adotadas pelos gestores.

Para os especialistas, a tendência continua favorável para esses fundos. Segundo Parreiras, com fundamentos da economia positivos e o juro em queda, os multimercados tendem a ganhar cada vez mais espaço, como uma alternativa de retorno maior.

Para Ganme, da Capital, o multimercado é "sempre um bom produto", uma vez que pode ganhar tanto num cenário positivo ou pessimista. "O que se compra, no caso do fundo multimercado, é a visão do gestor em relação ao cenário e não o cenário." Segundo o especialista, esse é o tipo de aplicação que o investidor tem de colocar o dinheiro e esquecer.kicker: Com R$ 18,2 bilhões e retorno médio de 11% (contra 9,37% do CDI), categoria atinge volume de R$ 152,3 bilhões, ou 18,6% do setor.