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Carteiras captam R$ 66,8 bi no ano
Fonte: Gazeta Mercantil | 20/10/2006

De janeiro a setembro, o setor teve captação líquida de R$ 66,8 bilhões, volume recorde, destacou o vice-presidente da Anbid, Marcelo Giufrida. Se comparado com o mesmo período do ano passado - quando a captação totalizou R$ 16,5 bilhões -, o saldo de aplicações em 2006 é quatro vezes maior. Supera ainda o total registrado em 2003 (R$ 61,5 bilhões), considerado um dos melhores anos para o setor. O patrimônio líquido no final de setembro alcançou R$ 873,3 bilhões.

Transparência, rentabilidade e um ambiente macroeconômico favorável para aplicações financeiras explicam o desempenho positivo, na opinião de Giufrida, vice-presidente do BNP Paribas. A expectativa é de que os fundos alcancem patrimônio de R$ 900 bilhões no final do ano e R$ 1 trilhão no primeiro semestre de 2007. "Há espaço para o crescimento", disse. Segundo o executivo, o setor de fundos conta com cerca de 2,5 milhões de cotistas, ante 15 milhões de contas de poupança. Ele reconheceu, porém, que a queda dos juros pode favorecer a manutenção dos recursos na poupança, uma vez que a rentabilidade passa a ficar bastante atraente. Pode até bater o retorno de um fundo DI (que acompanha a variação da taxa Selic), dependendo da taxa de administração. Giufrida ressaltou, no entanto, que os fundos tendem a se beneficiar de um mercado mais dinâmico.

A concorrência entre gestores e com outros produtos como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e poupança tem levado a uma queda da taxa de administração nos últimos anos, segundo o executivo. O aumento da eficiência na gestão, por conta dos volumes crescentes, também vem contribuindo para a redução das taxas, disse. Ainda de acordo com o executivo, os segmentos que mais crescem são justamente os que têm taxas de administração acima da média do setor (hoje abaixo de 1% ano, considerando os fundos para investidores institucionais), como os multimercados, que cobram de 1% a 2%. "Na gestão ativa, que busca superar o benchmark, a taxa de administração tem peso menor. Mais importante é a qualidade do gestor", disse Giufrida. Os multimercados lideram as entradas em 2006, com R$ 46,9 bilhões. O desempenho é resultado da queda de juros e da mudança de comportamento do investidor, que busca produtos com retorno diferenciado, segundo Giufrida. O forte interesse por esse tipo de aplicação levou muitos fundos exclusivos a mudar da categoria renda fixa para a de multimercados, informou o gerente da Anbid, José Brazuna. "Houve um movimento grande de reclassificação, em busca de um mandato mais flexível", disse. Com isso, os fundos de renda fixa, que vinha captando fortemente no ano, passaram a perdas de R$ 10,6 bilhões em nove meses.

A Anbid destacou o aumento da oferta de fundos "long and short", que se utilizam de estratégias de arbitragem no mercado de renda variável. Por conta disso, em agosto, a entidade decidiu separar esses fundos em uma nova categoria. Hoje, são 47 carteiras, com volume de R$ 5,3 bilhões. Levantamento da Quantum mostra que os primeiros fundos do tipo surgiram em 2002. Naquele ano, eram quatro carteiras, com patrimônio de R$ 50,3 milhões. O maior impulso foi em 2005, quando esses fundos atingiram volume perto dos R$ 3 bilhões. Outra tendência observada, segundo Giufrida, é a diversificação das carteiras dos fundos. Os títulos públicos vêm perdendo espaço para títulos de renda fixa privados e ações. Em agosto, representavam 68,1%, menor percentual desde 2001. Títulos privados e ações tinham uma fatia de 16,13% e 12,37%, respectivamente. Dados divulgados ontem pela Anbid mostram ainda que o Brasil passou a 11 no ranking mundial, superando a Espanha.

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