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Especial 2007 - Fundos de investimento
Fonte: Isto é - Dinheiro | 30/05/2007

Arriscar é preciso. Perder dinheiro, não. O maior desafio dos investidores nesses tempos de juros cadentes, ações ascendentes e dólar cambaleante é conciliar a vontade de obter maiores retornos financeiros sem correr riscos desnecessários e, principalmente, sem sofrer perdas, caso a maré de otimismo com a economia brasileira arrefecer - ou, no pior cenário, acabar. Não se vê nenhuma tempestade no horizonte, mas os ciclos econômicos não foram abolidos e é melhor estar preparado para os períodos de baixa. Quando os mercados desabam, os investidores incautos sempre perdem mais que os experientes. Se você já está insatisfeito com o rendimento cada vez menor dos fundos de renda fixa, terá de sair deste porto seguro e arriscar-se em aplicações mais ousadas, como os fundos de ações e os multimercados. E como fazer isso com segurança? Saiba a resposta nas próximas páginas.

Pelo terceiro ano consecutivo, DINHEIRO publica o guia Fundos de Investimentos. Elaborado em parceria com a Quantum Avaliação de Fundos de Investimento, este guia traz informações importantes para a escolha dos fundos mais adequados ao seu perfil de investidor. A Quantum acompanhou o desempenho de 6.559 fundos nos últimos 12 meses. Essas carteiras reuniam, em 30 de abril passado, um patrimônio de R$ 985 bilhões - marca que passou de R$ 1 trilhão em maio.

Para a elaboração dos rankings de rentabilidade, os fundos foram agrupados em cinco classes principais, conforme suas políticas de investimento: renda fixa, renda fixa DI, multimercado, ações (gestão ativa) e cambial. Em seguida, a amostra foi filtrada conforme o público-alvo dos fundos: investidores dispostos a aplicar inicialmente até R$ 10 mil; de R$ 10 mil a R$ 50 mil; e acima de R$ 50 mil. O resultado foi uma amostra final de 797 fundos, que reuniam R$ 353,8 bilhões e respondiam por 26% das aplicações nesse tipo de investimento. Os rankings levaram em conta, ainda, o patrimônio individual de cada fundo. Foram considerados somente os dez maiores em cada categoria dividida por faixa de aplicação inicial, num total de 135 finalistas.

O resultado é um retrato abrangente das aplicações da maioria das pessoas físicas que são clientes de bancos e gestoras de investimento independentes. "Os rankings mostram os fundos mais rentáveis dentre os maiores disponíveis no mercado", afirma Maxim Wengert, sócio da Quantum. Note, nas tabelas, a última coluna da direita, em que são concedidas notas de um a cinco conforme o risco medido pela oscilação diária das cotas. "Quanto maior a nota, maior é a volatilidade das cotas do fundo em relação aos demais da mesma categoria", explica Wengert. É uma medida importante para o investidor comparar o rendimento dos fundos levando os riscos em consideração.

Este ano, o desempenho dos fundos refletiu a evolução do cenário econômico benigno apontado por DINHEIRO em 2006. Nos últimos 12 meses, os juros mantiveram a trajetória de queda, a Bolsa subiu mais um bom tanto e o dólar continuou perdendo força diante do real. Se no levantamento anterior o CDI médio, termômetro dos juros, foi de 18,35%, desta vez não passou de 13,76%. O Ibovespa, que avançara 65,16%, subiu mais 21,29%. E o dólar, que havia perdido 17,15%, cedeu mais 2,65% até abril passado. Na prática, está cada vez mais difícil manter os polpudos retornos de outrora - daí a recomendação dos gestores para que os investidores migrem parte dos recursos para a renda variável se quiserem algo além da renda fixa. Os juros reais (acima da inflação), que antes estavam na faixa dos 12% ao ano, caminham para a casa dos 6% a 7% ao ano. "O investidor vai ter de correr mais riscos. É uma evolução natural do mercado", diz Pedro Bastos, diretor da HSBC Investments.

A captação crescente dos fundos multimercados - que investem em várias classes de ativos, inclusive ações - e o esvaziamento dos fundos de renda fixa e DI indicam que os donos do dinheiro dos fundos estão atentos. Segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os multimercados captaram R$ 47,5 bilhões líquidos (além das retiradas) nos 12 meses anteriores a 17 de maio. Os fundos de ações acolheram mais R$ 11 bilhões no período. Enquanto isso, os de renda fixa perderam R$ 20 bilhões e os DI, R$ 17 bilhões. "Depois de duas décadas de juros reais muito elevados, a transformação cultural do investidor já começou. É preciso aprender a conviver com os riscos", afirma Robert John Van Dijk, diretor superintendente da Bradesco Asset Management.

Antes de aderir à nova onda do mercado financeiro e aumentar a fatia da renda variável em seu portfólio de investimentos, você deve tomar certas precauções (leia as dicas na página ao lado) para suportar eventuais oscilações mais fortes na Bolsa e no câmbio. O clima econômico é de cruzeiro, mas ninguém entra num navio sem a certeza de que há botes salva-vidas e bóias para todos. "Toda vez que há altas generalizadas em todos os mercados e ninguém vê nuvens no céu, é momento de se ficar, no mínimo, um pouco mais cauteloso", diz Bastos, ele próprio um dos mais otimistas.

Portanto, não coloque um centavo num fundo mais arriscado antes de responder às perguntas básicas. Qual é o prazo dos investimentos? O que pretende fazer com o dinheiro no futuro? Quanto a renda variável representará do seu patrimônio financeiro? Quanto poderia perder na Bolsa sem entrar em pânico? Qual é, enfim, seu real apetite para os riscos?

Os bancos costumam dosar a renda variável conforme o perfil do cliente, geralmente classificados em conservadores, moderados ou agressivos. Esse diagnóstico é complexo, mas necessário. "O investidor deve tomar cuidado sempre. Fazer as perguntas corretas é essencial para adequar suas expectativas ao perfil de risco/retorno mais adequado", diz Van Dijk.