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Fundos viram grife e atraem clientes milionários
Fonte: O Globo | 15/07/2007

Eles têm nome, fama, são cercados de mistério e viraram verdadeiras grifes no mercado financeiro, atraindo bilhões de reais e uma lista de clientes que é mantida a sete chaves. À frente dos fundos mais badalados e rentáveis do mercado estão expresidentes do Banco Central (BC), como Armínio Fraga, e verdadeiras lendas do mercado financeiro, como André Jakurski e Arlindo Vergaças (ambos da JGP e ex-Pactual) ou Luís Stuhlberger (Hedging-Griffo). Há ainda os fundos que fizeram fama e fortuna devido a estratégias únicas e a um longuíssimo histórico de rentabilidade, como é o caso do Mellon Income e do IP Participações (este, um dos mais antigos da indústria, com 14 anos de vida). Para cuidar do seu dinheiro, eles exigem, em muitos casos, aplicações iniciais de R$ 500 mil.

A julgar pela rentabilidade dos fundos, o alto investimento compensa. O JGP Hedge, criado em 1999 e com R$ 991 milhões de patrimônio, acumula, desde o lançamento até maio, ganhos de 521,6%, frente a 268,7% do CDI, o juro dos bancos. Em seus 96 meses de vida, o fundo teve rentabilidade negativa em apenas quatro deles. Já o Gávea Brasil Multimercado, lançado em 2003 e hoje com patrimônio de R$ 1,547 bilhão, registrou perdas em apenas três meses. Desde a sua criação, teve ganhos de 145%, contra 79,68% do CDI, segundo dados de mercado.

Outro fundo incensado é o Hedging-Griffo Verde, que tem cerca de 11 anos e R$ 1,78 bilhão de patrimônio. Criado pelo supergestor Luís Stuhlberger, ele tem aplicação mínima bem mais modesta (R$ 5 mil). Em 126 meses de existência, fechou apenas 12 deles com perdas. Em janeiro de 1999, teve seu maior retorno mensal, de 63,44%. Explicase: em 1998, Stuhlberger começou a fazer pesadas apostas numa alta do dólar. Com isso, o fundo encerrou o ano da maxidesvalorização do real com retorno superior a 130%.

Fundos estão fechados a novas aplicações Mas quem são os clientes? São, em muitos casos, profissionais liberais, advogados renomados, artistas e executivos de grandes empresas com US$ 1 milhão líquido para investir. Muitos fazem parte da lista de sócios do Gávea Golf e do Country Club e já houve casos de aplicações fechadas entre uma e outra tacada no gramado de São Conrado, em jantares regados a vinhos de mil reais a garrafa ou num barco ancorado no mar de Angra dos Reis. Há também entre os clientes grandes bancos do país, como Itaú, Santander e Unibanco, que entram como distribuidores desses fundos.

Na maior parte do tempo, os fundos estão fechados a novas aplicações, como é o caso hoje do Gávea e do Verde. Após cinco anos fechado, o JGP Hedge — que também sobreviveu à maxidesvalorização do real (em dezembro de 1999, registrou seu maior ganho mensal, de 7,7%), ao estouro da bolha da internet, à crise argentina e à crise préeleitoral de 2002 — voltou a receber investimentos há cerca de um ano.

— O Brasil é a bola da vez, a economia está estável e o mercado, bastante líquido, o que atrai um grande volume de recursos para o fundo. No entanto, é preciso manter o patrimônio sob controle, saber a hora de se fechar a novas aplicações, para não comprometer a gestão, que fica mais complicada conforme o fundo cresce — explica Arlindo Vergaças, que coordena uma equipe de 11 operadores e é sócio da JGP e gestor do Hedge desde seu lançamento.

Em comum, o fundo da JGP, o Verde e o Gávea têm ainda o perfil de investimento: são todos classificados como hedge funds. Em bom português, fundos multimercado, o que significa poder aplicar em mercados tão diversos como os de câmbio, juros, Bolsa e títulos da dívida externa, de acordo com os ventos do mercado. Para isso, é necessária uma gestão bastante ágil, que consiga capturar as melhores oportunidades.

Como o Hedge, outro fundo badalado que está próximo de se abrir a novas aplicações é o IP Participações, criado em 1993 pela Investidor Profissional. A partir do dia 16, quem tiver cem mil reais poderá investir nas ações que fazem parte da carteira do fundo, que tem como filosofia o retorno a longo prazo — leia-se, superior a cinco anos. Em 14 anos, o fundo encerrou apenas dois no vermelho. O dia-a-dia do mercado financeiro não nos interessa. Fazemos investimentos a longuíssimo prazo, analisando a compra das ações das empresas como sócios, parceiros de negócio.

Somos mais que sócios financeiros, participamos do dia-a-dia das companhias. Estamos hoje no Conselho de Administração de sete das cerca de 15 empresas nas quais investimos. Assim, temos mais segurança e controle sobre o negócio — diz Pedro Rudge, sócio da IP e gestor do Participações.

Aplicação em empresas boas pagadoras de dividendos Há 14 anos, quando o fundo surgiu, a estratégia era considerada arriscada. Ninguém no mercado investia nas companhias como parceiros nem se preocupava em ter assento no conselho. Mas, desde sua criação até maio, o fundo rendeu 3.983% em dólar. Os resultados do Participações ganharam o respeito do mercado e atraíram de fundos de pensão americanos a private banks suíços.

Os estrangeiros também estão atrás do Mellon Income. Na casa — que faz parte da Mellon Financial Corporation, uma das 15 maiores gestoras do mundo, com US$ 1 trilhão sob administração — uma das estrelas é o fundo Income, criado em 1999.

Desde seu lançamento, o produto, que compartilha com o Participações a visão de retorno a longo prazo, mas investe apenas em empresas consideradas boas pagadoras de dividendos, acumula ganhos de 1.644%, contra 42,48% do CDI.

Um dos segredos do bom desempenho é a gestão compartilhada. Todas as decisões na Mellon são avaliadas por um comitê composto por profissionais com mais de 15 anos de mercado, cada um com uma formação distinta, que adiciona valor ao fundo — avalia Delano Franco, diretor da Mellon Global Investments-Brasil, que tem 25 pessoas na gestão.