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Fundos já sentem efeitos da volatilidade internacional
Fonte: Gazeta Mercantil | 17/08/2007

As turbulências nos mercados financeiros já começam a afetar a rentabilidade dos fundos de investimento. Segundo levantamento da consultoria Quantum, entre as principais classes de fundos, registram prejuízo as carteiras que aplicam em ações (incluindo previdência), com perda de 5% em agosto até o dia 14, e os multimercados, com baixa de 0,50% neste mês. No acumulado do ano, porém, ações acumulam retorno de 25,16% até o dia 14, liderando o ranking de rentabilidade, seguidas pelos multimercados, com alta de 9,68% em 2007. Os dados ainda não levam em conta os movimentos registrados ontem nos mercados.

O dia foi marcado por forte volatilidade nos principais mercados do mundo. A Bolsa brasileira chegou a recuar quase 9% no início da tarde, mas recuperou parte das perdas encerrando o pregão com queda de 2,58%. Já o dólar atingiu alta superior a 4%, mas fechou com valorização de 3,20%, a R$ 2,095. O sobe-e-desce dos ativos indica que ganhou força o temor de um desaquecimento global provocado pela crise no setor de hipotecas americano. "A piora dos mercados mostra que caiu a ficha", resume o sócio da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Para o economista, até quarta-feira, a expectativa ainda era de que o mercado ia voltar após um ou dois meses, como ocorreu em maio de 2006 e fevereiro deste ano. "A aversão ao risco cresceu, levando ao stop loss (venda de ativos para limitar as perdas)", afirma.

Póvoa ressalta, porém, que a probabilidade de a crise contaminar a economia real (gerando o tal desaquecimento) ainda é pequena. "Os Bancos Centrais mundiais não vão permitir que isso aconteça", acredita. Por outro lado, na sua visão, não dá para dizer quando essa fase de ajuste de preços vai terminar. "O processo ainda vai se estender por muito tempo; pode haver dias melhores, mas dificilmente o mercado vai voltar para o patamar que estava antes da crise", afirma.

Isso pode significar mais perdas para investidores. Na Modal Asset, a estratégia, segundo Póvoa, é de reduzir ao máximo a exposição de seus fundos em ativos de risco, como ações. "Não estamos fazendo apostas nem a favor nem contra, vamos buscar 100% do CDI", disse.

O economista e sócio da Mauá Investimentos, Caio Megale, considera precipitado ver na crise um motivo de reversão na tendência de crescimento global. No entanto, do ponto de vista dos gestores de fundos, toda cautela é pouco. "Não é hora para ser muito corajoso, nem arriscar em um mercado tão volátil", diz Megale. Segundo o economista, o mais prudente é ficar o menos exposto possível. "As posições devem ser as menores possíveis e, enquanto durar a turbulência, a compra de ativos seguros como o iene, tende a ganhar valor, é aconselhável."

Mas o nervosismo que leva o investidor a se comportar como manada, se desfazendo de ativos mesmo sabendo que o valor está depreciado, não atinge por igual a indústria de fundos. O economista-chefe e sócio do Pátria Investimentos, Luiz Fernando Lopes, vê oportunidades de ganho com a distorção nos preços causada pela volatilidade. "Para os fundos que têm posição muito direcional (como os multimercados conhecidos como macro), apostando em tendência, o momento é realmente delicado", explica Lopes. "Já nossos fundos, que operam guiados por eventos certos, como fusões e programas de recompra de ação, podem aproveitar o momento de preços baixos e ganhar."

Lopes cita também o descolamento entre o Ibovespa à vista e o índice futuro. "O índice tende a convergir, em meados de outubro, o que também é uma oportunidade de ganho." Para o economista, é uma questão de tempo até que haja uma recuperação.

A crise no setor americano de hipotecas começou a ganhar força na semana do dia 23 de julho, mas ainda assim os fundos encerraram aquele mês com ganhos. A categoria de ações, por exemplo, teve rentabilidade média de 2,29% em julho, segundo cálculos da Anbid, além de registrar ingressos líquidos de R$ 4,135 bilhões. Esse movimento de procura por fundos de ações continua em agosto. No mês até o dia 14, segundo a Quantum, as carteiras de ações, incluindo previdência, captaram R$ 769,8 milhões. Em todo o ano, as aplicações superam os resgates em R$ 20,7 bilhões.