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Uma estratégia defensiva para enfrentar a crise
Fonte: Gazeta Mercantil | 22/08/2007

Num mercado altamente volátil e sem expectativa de recuperação no curto prazo (desde o dia 23 de julho, a Bolsa brasileira perdeu quase 10 mil pontos), fundos focados em ações de empresas que pagam bons dividendos tornam-se uma alternativa interessante para o investidor "defender" seu capital, desde que o horizonte seja de longo prazo. Isso porque a rentabilidade desse tipo de aplicação é formada pelo lucro que as empresas distribuem aos acionistas na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio e não apenas pela valorização das ações na Bolsa.

"No atual cenário, os fundos de dividendos são bem defensivos, já que investem em empresas com fundamentos sólidos e forte geração de caixa", diz o gestor de renda variável da Mellon Global Investments Brasil, André Jakurski. Para o diretor da Petra Personal Trader CTVM, Ricardo Binelli, é interessante para o investidor ter um pedaço da carteira em ações que pagam dividendos, porque são empresas lucrativas, mais maduras e com folga de caixa. "Ter um retorno garantido com dividendos é bom, mas obriga o investidor a ter uma visão de longo prazo. Isso porque, em momentos de turbulência, essas ações não ficam livres de oscilações", afirma.

Binelli ressalta, porém, que a companhia pagadora de dividendos pode proteger o investidor quando a turbulência assume a proporção de grande crise, com o benefício servindo para amortecer perdas. Mas, em período de alta do mercado, esses papéis tendem a render menos, acrescenta. Levantamento da consultoria Quantum com os fundos em operação no mercado mostra que a rentabilidade média das carteiras nos últimos 12 meses até dia 16 de agosto ficou em 31,84%, próximo dos 31,35% do Ibovespa. Neste ano, o ganho médio dos fundos é de 9,95%, contra 7,96% do Ibovespa.

Cada gestor tem uma estratégia para selecionar as empresas. Mas a companhia tem de pagar bons dividendos. Dois, três anos atrás, segundo Binelli, uma empresa para ser considerada uma boa pagadora de dividendos distribuía o equivalente a 15% do preço de sua ação no mercado ao ano. Hoje, com a alta da Bolsa, o percentual de remuneração em relação ao preço do papel (conhecido como dividend yield) caiu para algo em torno de 6%. "Isso não significa que a empresa está lucrando menos, mas que o preço da ação subiu", afirma. A Petra, que tem clube focado em dividendos, busca as melhores pagadoras de dividendos e, entre elas, seleciona as que estão com preços defasados, sempre de olho nos fundamentos. Binelli conta que existem empresas que pagam dividendos acima de 10%, mas não tem liquidez. Hoje, continua, uma empresa boa pagadora distribui algo acima de 7%.

Na Mellon, a seleção é feita com base na perspectiva de geração de caixa das empresas e nas práticas de governança corporativa adotadas. "Não adianta ter caixa e não revertê-lo para o acionista minoritário", afirma Jakurski. As principais posições do fundo da Mellon estão em Vale do Rio Doce, Gerdau e Petrobras. A Vale, afirma, tem um potencial forte de geração de caixa com a demanda crescente de minério de ferro e níquel. O setor elétrico, continua, também é um grande gerador de caixa. "As empresas elétricas têm um fluxo de caixa previsível."

Na maioria dos fundos, os dividendos são incorporados às cotas. A GAS Investimentos é uma das poucas gestoras que distribui os dividendos. Segundo a diretora Silvia Sandoval, o benefício é pago trimestralmente ao cotista. É justamente esse diferencial o que sustenta a estratégia da GAS para atrair novos investidores. "Nosso foco é o investidor de imóveis (com pelo menos R$ 100 mil para aplicar), já que nosso fundo oferece uma renda", afirma. Para o chefe da área de análise da gestora, Roberto Knoepfelmacher, o fundo de dividendos é ótima alternativa à renda fixa, pois investe em ações com um retorno em dividendos bastante previsível e comparável à taxa Selic.