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Patrimônio dos fundos cai R$ 15,3 bi com turbulência
Fonte: Gazeta Mercantil | 24/08/2007

O patrimônio líquido dos fundos encolheu R$ 15,3 bilhões desde o início do mês, com as turbulências nos mercados geradas pela crise do setor hipotecário americano. A redução, porém, é de apenas 1,45% para o total de R$ 1,040 trilhão e deve-se essencialmente à perda de rentabilidade das carteiras de ações, já que a saída líquida de dinheiro do setor soma R$ 1,061 bilhão em agosto, segundo dados da Anbid até o dia 17. Assim como a desvalorização da Bolsa fez encolher o patrimônio dos fundos, uma recuperação dos mercados terá efeito positivo.

Em agosto, a rentabilidade dos fundos de ações é a mais afetada. Segundo a consultoria Quantum, as carteiras com gestão ativa registram, em média, variação negativa de 10,58% até o dia 17. Nos fundos indexados a índices, a perda é de 11,51% e nos setoriais, de 12,27% - no mesmo período, o Ibovespa recuou 10,38%, contra variação de 0,56% do CDI. No acumulado do ano, porém, os fundos de ações ativos lideram os ganhos, com retorno de 15,08% até o dia 17, bem acima dos 7,63% do CDI. Vale lembrar que o desempenho dos fundos de ações ainda não reflete a alta da Bolsa desta semana.

Por isso, para o investidor que acredita que a atual turbulência é passageira, a recomendação é manter os recursos aplicados a fim de não perder a oportunidade de recuperação. "A decisão de entrar ou sair de uma aplicação deve ser baseada nas perspectivas e não no passado. Se o investidor aposta que a atual crise não é grave o suficiente para mudar o cenário, então não é hora de sair nem de Bolsa nem de renda fixa", diz André Delben Silva, responsável pela área de gestão da Advisor Asset Management.

Mesmo com a queda expressiva da rentabilidade, os saques nas carteiras de ações somam R$ 406,44 milhões em agosto. O volume está bem abaixo dos R$ 2,78 bilhões registrados pelos fundos de renda fixa, que acumulam retorno médio de 0,28% no mês. A explicação pode estar no fato de algumas carteiras, especialmente as mais agressivas, terem registrado cota negativa nos dias de maior turbulência. "Parece que o investidor estava mais preparado para perder 10% na Bolsa do que 1% na renda fixa", afirma

Os fundos de renda fixa não estão livres de oscilações e também sofrem com a volatilidade, uma vez que têm em suas carteiras títulos prefixados, indexados à inflação, de longo prazo - ativos que tendem a perder valor como conseqüência do pessimismo dos agentes revertido em projeções juros futuros mais altas. Os multimercados, cuja rendimento está negativo em 1,39% em agosto, também foram alvos de resgates. A saída líquida dessas carteiras soma R$ 1,89 bilhão no mês. Para o gestor da Advisor, boa parte das perdas desses fundos tem a ver com o juro futuro mais alto.

Em contrapartida, os tradicionais fundos DI, com ganho de 0,54% em agosto, voltaram a captar. No mês, as entradas chegam a R$ 3,79 bilhões. "A crise, naturalmente, mexeu com a indústria, impulsionando a migração para fundos mais conservadores", diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. No acumulado do ano, porém, os DI, ao lado de fundos cambiais e de dívida externa, são os únicos que registram saída de recursos - os resgates chegam a R$ 9,6 bilhões. As carteiras de renda fixa captam R$ 18,7 bilhões e os multimercados, R$ 22 bilhões. A indústria toda acumula entrada líquida de R$ 57 bilhões.

A busca por aplicações de maior risco deve prevalecer no longo prazo, já que, para os analistas, a crise é passageira e não deve levar a uma recessão na economia americana. Na avaliação de Silva, aplicações como Bolsa devem continuar atrativas, mesmo que o Banco Central diminua (ou interrompa) o ritmo de corte na taxa Selic. A crise também não deve colocar em risco a possibilidade de o Brasil alcançar o investment grade no ano que vem, opina Agostini. E isso deve impulsionar a Bolsa. O economista projeta o Ibovespa a 75 mil pontos no fim do ano. Até lá, a Bolsa vai oscilar muito e, por isso, os analistas recomendam diversificar as aplicações.