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Na gangorra da bolsa, a alternativa é escolher uma aplicação que reduza chance de perdas
Fonte: O Globo | 27/08/2007

Os investidores brasileiros parecem estar mais acostumados com as emoções do mercado.

Apesar das fortes oscilações — o Índice Bovespa chegou a cair 8,82% em um único dia — as aplicações superam os resgates nos fundos de ações em R$ 134,26 milhões no mês até o dia 21, segundo dados da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid). Eles vêm sendo um “colchão” para quem quer investir em ações, apesar da turbulência.

Segundo gestores de carteiras, muitos investidores aproveitaram as quedas recentes para buscar ações mais baratas.Além disso, ganharam destaque os fundos que investem em setores mais conservadores ou empresas específicas, como mostra o levantamento feito pela Quantum, consultoria especializada em avaliar fundos de investimento, a pedido do GLOBO.

— Já passamos por quedas semelhantes em 2006 e em 2005 e tivemos saídas mais fortes de investidores — diz Rogério Poppe, gestor de renda variável da Mellon Global Investments Brasil.

Prioridade para bons pagadores de dividendos Poppe recomenda estratégias conservadoras, como dar prioridade a ações de empresas que distribuem bons dividendos, como as de telefonia fixa e do setor elétrico, com fluxos de caixa mais previsíveis. Elas costumam cair menos do que a bolsa e, no longo prazo, podem render mais, ele estima.

O advogado Fernando Medeiros foi um dos milhares de investidores que ficaram assustados com as quedas fortesdas semanas recentes. Mas sua reação foi diferente da esperada para quem investe no mercado de ações há só um ano e meio.

— O mercado ficou em polvorosa, mas, como tinha consciência do investimento, não tirei. E apliquei mais — conta.

— E a bolsa já começou a subir novamente — comemora.

Ele reconhece que escolheu um fundo agressivo, o Prosper Adinvest, que está entre os que tiveram menos perdas. Fernando colocou duas vezes o que já tinha aplicado e hoje 30% de suas aplicações estão no fundo de ações.

Já o bancário Roberto Luiz Mazetto preferiu “realizar o ganho” de 1,5% dos dois meses em que ficou num fundo de ações da Petrobras e de empresas do setor de mineração, para voltar quando o mercado estiver mais calmo. Ele tinha visto suas cotas subirem 4,5%, mas, como não saiu antes, prefere não sofrer com a queda “virtual”.

— Eu saí no primeiro dia de queda, no dia 24 — conta o investidor, que analisa os gráficos das cotações para prever tendências do mercado.

Para o diretor da Prosper Gestão de Recursos, Júlio Martins, as quedas recentes servem para mostrar que ações também caem de preço.

— Muita gente que não conhecia nada de bolsa só ganhou dinheiro nesses últimos quatro anos — avalia.

Acesso à informação tranqüiliza, diz gestor O estudante de administração Leonardo Mendes foi um desses investidores que entendeu o caráter educativo das perdas. Ele entrou em fevereiro em fundos de ações.

— Fiquei um pouco decepcionado, mas não pensei em tirar, acredito que no longo prazo vai melhorar — diz Leonardo, que quer usar o dinheiro para dar entrada num carro.

O gerente de fundos de ações da BB DTVM, Rubens Monteiro, acredita que um fator que tranqüiliza investidores hoje é a quantidade de informação disponível, sobretudo na internet.

— O investidor não pode esquecer que, quando aplica em ações, investe nas empresas e elas nunca tiveram resultados tão bons — diz.

De investimento de longo prazo, a publicitária Silvia Ferreira entende. Ela chegou a esquecer que havia comprado cotas do PIBB (Papéis de Índice Brasil Bovespa), carteira de ações lançada pelo BNDES em julho de 2004, com garantia do valor aplicado no primeiro ano.

— Eu lembrei quando fui fazer o imposto de renda, em 2005. O objetivo era fazer uma aplicação que poderia render mais — diz Silvia, que se arrepende hoje de ter comprado apenas 120 cotas do PIBB.