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Fundos de fundos atraem varejo
Fonte: Gazeta Mercantil | 13/12/2007

Os fundos que compram cotas de outros fundos, também conhecidos como fundos multigestores, vêm ganhando cada vez mais espaço no portfólio de aplicações do pequeno e médio investidor. Isso porque deixam ao alcance desse cliente produtos mais sofisticados, que, em geral, são geridos por casas independentes e estão disponíveis para volumes muito elevados. A recente popularização dos fundos multigestores — até pouco tempo atrás esses produtos estavam restritos apenas aos grandes clientes do private bank — está ligada ao cenário de estabilização da economia com queda de juros, que despertou os investidores, independente do porte, para as aplicações de maior risco na tentativa de obter melhores retornos.

O Bradesco, por exemplo, lançou seu primeiro fundo multigestor na rede, para os clientes do Prime, no início de novembro. O produto compra cotas de fundos de cinco gestores de multimercados — UBS Pactual, BNY Mellon, Banco BBM, Schroder e Credit Suisse Hedging-Griffo —, montados exclusivamente para o banco. Os mais comuns são os fundos de fundos multimercados, mas também há um movimento de criação de produtos multigestores de ações — até pelo aumento da demanda do investidor por aplicações de renda variável dada a forte valorização da Bolsa nos últimos cinco anos. No auge da crise do subprime, a Verax Serviços Financeiros lançou um fundo multigestor de ações para aplicar em fundos de variadas estratégias, como small caps, arbitragem, entre outros. Também a Nossa Caixa passou a oferecer a seus clientes, em outubro, um fundo multigestor de ações que compra gestores como Fator Administração de Recursos e Quest Investimentos.

Levantamento da consultoria Quantummostra que, entre 2005 e o último dia 4, o patrimônio líquido dos fundos de fundos multimercados abertos a investidores em geral saltou de R$ 1,77 bilhão para R$ 7,02 bilhões, crescimento de quase 300%. O número de cotistas passou de 18.761 para 60.464 no mesmo período, com alta de 222%. Hoje, há 37 carteiras do tipo em operação no mercado, segundo a Quantum, sendo que sete foram criadas neste ano. O Bradesco Prime Multigestores, conta o superintendente de fundos de fundos da Bradesco Asset Management (Bram), Marcos Rabinovich, atraiu 209 cotistas e um volume de recursos da ordem de R$ 27 milhões desde que abriu para captação em 5 de novembro, o que dá uma média de R$ 129 mil por investidor — a aplicação mínima no fundo é de R$ 50 mil. “A demanda tem sido muito boa para o momento de mercado que estamos passando. Novembro foi um mês bastante volátil, com alguns gestores tendo retornos negativos”, destaca Rabinovich.

Já no segmento de fundos multigestor de ações, o estudo da Quantum mostra que são 11 as carteiras em operação no mercado para investidores em geral, sendo que sete foram lançadas neste ano. O patrimônio líquido desses fundos, que em 2005 era de R$ 63,6 milhões distribuídos entre três carteiras, atingiu R$ 465,5 milhões no último 4, expansão de 632%. O número de cotistas passou de 2.864 para 6.382.

Para os bancos de varejo, os fundos de fundos foram a alternativa encontrada para oferecer produtos de terceiros na rede. “O fundo multigestor é um marco para o Bradesco, pois é a primeira vez que o banco oferece um produto de terceiro na rede”, diz Rabinovich. “Os fundos de fundos surgem para complementar a grade de produtos do banco, à medida que oferece diferentes estilos de gestão”, acrescenta.

Para o Unibanco, um dos primeiros a oferecer o produto na rede, a maior vantagem do modelo, segundo Luiz Felipe Andrade, diretor executivo da Unibanco Asset Management (UAM), é a possibilidade de controlar melhor a venda de produtos de terceiros na rede e a exposição a risco do investidor, através da diversificação de estratégias e gestores em um único fundo. Segundo ele, o cliente do varejo, mesmo quando aplica seus recursos em fundos de outros gestores, não consegue desvincular o nome do banco do produto que está comprando. “A diversificação alcançada num fundo de fundos diminui o risco, gerando um retorno líquido acima da maioria dos fundos equivalentes e com baixa volatilidade”, destaca. Ainda segundo ele, quem investe em um fundo de fundos está comprando o serviço do gestor de seleção de fundos, que inclui avaliações quantitativas e qualitativas dos produtos disponíveis no mercado, dos gestores e ainda dos controles adotados pelas casas de investimento.

O tíquete baixo para aplicação é outro atrativo dos fundos multigestores, afirma Thiago Castro, diretor comercial da TAG Investimentos, alocadora independente de de recursos. Castro conta que na TAG essa é uma estratégia para clientes que estão começando a formar sua poupança, uma vez que é possível acessar, com volumes menores, produtos sofisticados e ainda assim diversificar.

Os fundos de fundos começam com aplicação mínima de R$ 10 mil. Já num hedge fund, categoria dos multimercados mais agressivos, o investidor precisa ter no mínimo R$ 100 mil – há carteiras que exigem volumes ainda maiores, destaca Castro. Além disso, a estrutura, ao reunir recursos de vários cotistas, permite pagar taxas de administração menores nos fundos comprados. O benefício tributário também deve ser considerado, lembra Castro. Eventuais prejuízos de um fundo, segundo ele, podem ser abatidos do IR a ser recolhido sobre os lucros gerados por outro fundo da mesma carteira.