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Bolsa prepara plataforma para consolidar dados
Fonte: Valor Econômico | 21/08/2014 | Beatriz Cutait

Em meio às propostas colocadas em audiência pública pela CVM para aprimorar o funcionamento da indústria de fundos imobiliários, a BM&FBovespa, como auxiliar de fiscalização da autarquia, pretende desenvolver uma plataforma para recebimento de informações das carteiras. O projeto tende a aprimorar o acesso aos dados pelos investidores, consolidando-os e incentivando a comparação. A indústria tem hoje 235 fundos imobiliários registrados, dos quais 123 negociados em bolsa.

Segundo Carlos Rebello, diretor de regulação de emissores da BM&FBovespa, a plataforma ainda está em debate e não tem data definida para lançamento. "Estamos discutindo com a CVM esse aperfeiçoamento", afirma.

A ideia é que a plataforma esteja disponível nos sites da autarquia e da Bolsa. "Será um incentivo também para facilitar o trabalho de analistas e, numa onda posterior, a entrada do investidor não residente", assinala o diretor, que espera que mais fundos imobiliários passem a contar com áreas de relacionamento com investidores no futuro.

Segundo Rebello, a Bolsa já fez duas reuniões para discutir as mudanças propostas pela CVM referentes ao regime de divulgação de informações e às regras de governança dos fundos imobiliários e pretende se manifestar no processo de audiência pública, que termina no dia 3 de novembro.

Assim como para gestores, a questão referente ao representante de cotistas em fundos imobiliários chamou a atenção da Bolsa, que a vê como uma aproximação do modelo existente em conselhos fiscais de companhias abertas.

"A CVM vem trazendo responsabilidades, direitos e deveres, e estabelece que os representantes precisam ter qualificação", diz Rebello, que considera a proposta como um incentivo importante de participação nas decisões dos fundos. "À primeira vista, nos pareceu muito saudável esse tipo de definição e vai permitir que haja um mecanismo de fiscalização da governança."

E o diretor avalia que uma remuneração aos representantes dos cotistas faz sentido, já que a tarefa exige um conhecimento maior do mercado. Para Rebello, ainda que gere um custo, a proposta deve levar a um aumento da verificação da atuação de administradores. "No final, todo mundo ganha."

A posição da Bolsa sobre a proposta de remuneração do administrador atrelada ao valor de mercado também é positiva. Como os investidores olham principalmente para os rendimentos distribuídos e o potencial ganho de capital no mercado secundário, Rebello considera importante que os administradores estejam atentos aos preços das cotas.

Um ponto a ser discutido diz respeito a ofertas públicas de aquisições de fundos imobiliários. Conforme o diretor, a CVM delegou para a BM&FBovespa a tarefa de elaborar uma minuta de regulamento com as regras a serem observadas nesses casos. "Vamos escutar o mercado e propor à CVM um regulamento para ser aprovado", afirma Rebello.

A indústria de fundos imobiliários tem mostrado uma recuperação desde fevereiro. Segundo levantamento feito pela Quantum, provedora de informações financeiras, o retorno médio de todos os fundos listados em bolsa com negociação de cotas em julho, ponderado por valor de mercado, atingiu 4,47% no ano até o mês passado. Em 12 meses, o ganho corresponde a 5,68%. Apenas em julho, o retorno foi de 1,46%. O cálculo captura o efeito da valorização das cotas no mercado e o pagamento de rendimentos aos cotistas.

Só com a distribuição dos dividendos, o retorno médio dos fundos imobiliários correspondeu a 0,76% no mês passado, elevando para 5,56% o rendimento no acumulado do ano até julho. Em 12 meses, o retorno com dividendos chega a 9,40%.