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Bolsa brasileira perde para o CDI em cinco anos
Fonte: Agencia Estado | 16/ 02/ 2014 | Josette Goulart

Era 27 de outubro de 2008 e a bolsa brasileira chegava ao fundo do poço, perdendo 60% de seu valor em menos de seis meses, envolta naquela que foi considerada uma das piores crises econômicas mundiais. Passados pouco mais de cinco anos, quem entrou na bolsa naquele dia tem hoje 63,6% mais reais no bolso. Parece bom? Pois é menos do que rendeu, no mesmo período, o CDI - a taxa do Certificado de Depósito Interbancário e que reflete o juro básico da economia brasileira.

Neste ano, a bolsa já caiu 6,5%, acumulando-se as perdas de mais de 15% em 2013. Em dólar, as perdas superam 10% em 2014. Neste mês, está subindo pouco mais de 1%. Mas nesses dias de fevereiro a bolsa ou sobe ou desce no embalo da divulgação de lucros das empresas listadas. Pois é de olho nesse lucro que estrategistas de importantes instituições financeiras internacionais como Credit Suisse, Citibank e Franklin Templeton afirmam: "A bolsa brasileira está barata".

Mas é preciso ponderar que não significa que não pode ficar ainda mais barata. Não existe segredo no mercado financeiro, os investidores estão sempre atrás do lucro. Para dizer se a bolsa está ou não barata, pega-se o preço da ação e divide-se pelo lucro obtido no ano ou o que é esperado. O resultado dessa conta evidencia em quanto tempo o investidor teria seu dinheiro de volta só com base em pagamento de dividendos, que é a distribuição do lucro aos acionistas.

Na média histórica do índice Bovespa, o preço das ações é cerca de 11 vezes o lucro das empresas. Neste momento, esta conta é de 9,5 vezes. Por isso, os estrategistas afirmam que a bolsa está barata. Mas para se ter uma ideia, quando houve um pico de alta da bolsa em 2010, era de 13 vezes. Em 2008, no fundo do poço, chegou a registrar 7,5 vezes.

O histórico mostra, portanto, que mesmo barata a bolsa ainda pode cair mais a depender das expectativas que podem ser afetadas por um rebaixamento da nota de risco do Brasil, ou por uma produção industrial que caia mais uma vez, ou um racionamento de energia, ou uma queda muito forte do consumo e mesmo que a crise dos países emergentes ganhe novos contornos. "Estou apostando que a bolsa vai a 40 mil pontos, pressionado pelos estrangeiros, que vão voltar depois das eleições quando a bolsa estiver uma pechincha", diz um corretor de ações com 30 anos de mercado mas que não quis se identificar.

O estrategista do Citibank, Fernando Siqueira, diz, entretanto, que não se pode comparar o momento atual com a crise de 2008. "Naquele período, em poucos meses a bolsa saiu de 70 mil pontos para menos de 30 mil. Agora, estamos falando de alguns anos de desempenho fraco, não de uma queda brusca", diz Siqueira.
Segundo Frederico Sampaio, da Franklin Templeton, naquele período de 2008 os lucros das empresas foram revisados para baixo. Agora, os preços estão caindo mas não há, por enquanto, revisão generalizada do lucro das empresas.

Mas algumas empresas como Petrobras estão piores do que estavam em 2008 como lembra o sócio e responsável pela gestora de recursos do banco Brasil Plural, Carlos Eduardo Rocha. A Petrobrás está mais endividada e suas cotações já chegaram a ficar abaixo de 2008 neste ano. O índice também foi afetado pela OGX, do empresário Eike Batista. Mas as duas companhias não influenciam mais o índice Bovespa. A primeira porque teve seu peso reduzido, e a segunda, porque foi excluída.

Nestes cinco anos, segundo cálculos da consultoria Quantum, o ganho real do investidor em bolsa foi de 22%. A Petrobras teve uma queda, já descontada a inflação, de 24%. A estatal não reflete, no entanto, a expectativa para outras empresas. O estrategista do Credit Suisse Andrew Campbell ressalta o setor financeiro, algumas empresas como AmBev e Brasil Foods, e ainda companhias exportadoras que se beneficiam do dólar mais alto.