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Em agosto, retorno dos fundos imobiliários recua

Fonte: Valor Econômico | 17/09/2014 | Sérgio Tauhata

Após engatar recuperação em fevereiro, os fundos imobiliários voltaram a ter um desempenho mais fraco em agosto. Levantamento realizado pela provedora de informações financeiras Quantum com base nas carteiras listadas em bolsa aponta um retorno agregado, ponderado pelo valor de mercado, de 0,27%. O Ifix - índice da bolsa que acompanha uma cesta formada por 66 fundos imobiliários - mostra variação de 0,28% no mês.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o retorno calculado pela Quantum alcança 4,81% e, em 12 meses, 7,73%. O percentual leva em conta a variação das cotas em bolsa, ajustada pela distribuição de dividendos pelos fundos.

Se considerada apenas a distribuição de dividendos, em geral oriundos de receitas com aluguel, o retorno dos fundos imobiliários foi de 0,78% em agosto. O Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), principal referência para aplicações conservadoras, variou 0,86% no mês. Vale lembrar que os dividendos distribuídos pelos FIIs são isentos de imposto de renda (IR) desde que o fundo seja listado em bolsa, tenha mais de 50 cotistas e o investidor não detenha mais de 10% das cotas.

No acumulado do ano até agosto, o retorno médio com dividendos ("dividend yield") ficou em 6,31% e, em 12 meses, em 9,42%. A rentabilidade fica pouco abaixo do CDI nos mesmos períodos, que acumulou 6,87%, em oito meses de 2014, e 10,11%, em 12 meses até agosto.

Hoje, a grande maioria dos fundos imobiliários em operação na bolsa tem como foco a renda de aluguel, que por sua vez é o que mais atrai o investidor. Ainda que essa renda mantenha-se estável em termos de valores, o retorno das carteiras é influenciado fortemente pelo sobe e desce das cotas em bolsa, que tem como pano de fundo a taxa básica de juros.

Em geral, quando o juro está em queda, a procura por alternativas como o fundo imobiliário cresce, o que tende a puxar o preço das cotas para cima. Foi o que aconteceu nos anos de 2011 e 2012, quando o Ifix registrou valorizações de 16,5% e 35%, respectivamente. A Selic atingiu a mínima de 7,25% em outubro de 2012.

Já em períodos de alta da taxa Selic, como o mais recente, percebe-se uma saída de investidores para aplicações atreladas ao CDI. Em 2013, por exemplo, quando deu-se início o ciclo de aperto monetário que levou a Selic aos atuais 11%, o índice de fundos imobiliários caiu 12,6%.

No mês passado, as carteiras referenciadas DI tiveram captação líquida de R$ 16,6 bilhões. Além dos fundos, produtos de tesouraria como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), isentos de IR e, na maioria atrelados ao CDI, registraram alta de 31% no volume aplicado no primeiro semestre no segmento de varejo.

"O mercado de fundos imobiliários foi impactado no ano passado e no começo deste ano pelos fatores macroeconômicos. Com isso, os fundos tiveram no ano passado um período um pouco mais complicado, do ponto de vista de rentabilidade e liquidez na bolsa", afirma Reinaldo Holanda de Lacerda, presidente do comitê de produtos imobiliários da Anbima e superintendente da Votorantim Asset Management. Mesmo com a queda em 2013, no acumulado dos três últimos anos, o Ifix acumulou alta de 37,5%.