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Ritmo de ofertas na Bolsa é o mais fraco desde 2009

Fonte: Valor Econômico | 24/11/2014 | Beatriz Cutait e Ana Paula Ragazzi

Ainda que estivesse em rota de recuperação no ano até outubro, a indústria de fundos imobiliários seguia tímida em termos de novas ofertas. Poucos gestores têm se arriscado a lançar produtos após um 2013 em que as carteiras despencaram, com queda de 12,6% do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix).

No fim de outubro, a BM&FBovespa contava com um total de 127 carteiras listadas, apenas 12 a mais que no fim do ano passado. Esse é o menor ritmo de expansão dessa indústria no mercado secundário desde 2009, quando seis fundos foram lançados. Foi ao longo desse período que o mercado efetivamente deslanchou, com destaque para 2012, com 27 novas carteiras negociadas em bolsa. Aquele foi um ano glorioso para a indústria, diante da disparada do Ifix, de 35%.

Há atualmente cinco ofertas em análise na Comissão de Valores mobiliários (CVM), que somam aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O maior fundo é o Gávea Propriedades, no valor de R$ 1,01 bilhão. O Bradesco também está na fila, com uma captação de R$ 150 milhões, assim como a Caixa, com R$ 100 milhões.

André Freitas, diretor da CSHG Asset Management na área de fundos imobiliários, diz que a instituição planeja lançar um fundo de fundos, de olho na oportunidade de preços atrativos. A oferta, contudo, deve ficar para 2015. "Essa é uma oportunidade excelente para estar fazendo negócio", afirma.

A pessoa física, contudo, anda impaciente. Ao fim de outubro, havia 92,5 mil investidores do varejo no mercado, bem abaixo dos mais de 100 mil do fim de 2013.

E há um esfriamento também nos volumes de negócios. O giro financeiro registrado pelas carteiras imobiliárias em 2014 até outubro chegou a R$ 4,3 bilhões, soma 37,7% inferior ao total apurado no mesmo período de 2013. Já o número de negócios tem se mantido. No acumulado do ano, ele correspondia a 817,5 mil, um aumento de 16,3% na mesma base de comparação.

Segundo dados da BM&FBovespa, ao fim do mês passado, o valor de mercado dos fundos negociados em bolsa era de R$ 26,9 bilhões, abaixo dos R$ 28,7 bilhões de dezembro de 2013.

Na sexta-feira, a Superintendência de Relações com Investidores Institucionais (SIN) da CVM divulgou um ofício com esclarecimentos ao mercado quanto à forma de melhor cumprimento das normas que regulam os fundos de investimento e as atividades de administração de carteiras, dentre outros.

O material, bastante técnico, consolidou alguns entendimentos recentes da SIN e do colegiado da CVM decorrentes de consultas e demandas apresentadas por participantes do mercado. O objetivo é dar orientações, a partir de dúvidas que têm sido encaminhadas à autarquia, ou a alguns procedimentos específicos.

Sobre o mercado de fundos imobiliários, o documento revelou que houve um aumento de ofícios de alerta encaminhados aos administradores dessas carteiras no que se refere à publicação de fatos relevantes. A autarquia então reforçou a necessidade dessa divulgação de forma clara, imediata e ampla. Foi citado o exemplo de episódios de vacância de imóveis, que devem ser divulgados de forma clara e que possibilite aos investidores entenderem a magnitude do impacto do fato divulgado sobre os rendimentos da carteira. A SIN também alertou que alguns administradores têm escolhido os canais de "avisos ou comunicados ao mercado" em vez da divulgação via "fato relevante".