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Desempenho de longevas na Bolsa é diferenciado

Fonte: Valor Econômico | 08/04/2015 | Suzana Liskauskas

As companhias que carregam em seu gene uma história de mais de cem anos, com capítulos bem­-sucedidos em termos de governança, além de comprovar a capacidade de adaptação às mudanças exigidas em diferentes contextos políticos e econômicos, atraem investidores em todo o mundo. Um levantamento feito pela Deloitte, em um período de cinco anos, incluindo 11 empresas de capital aberto no Brasil, com cem ou mais anos de fundação, mostrou que elas apresentaram resultados mais positivos do que outras 137 empresas listadas. Os cálculos da estrutura de Research da Deloitte, baseados em informações de empresas que já divulgaram seus resultados em 2014, mostraram que, mesmo diante de uma forte volatilidade diária, o valor das ações dessas companhias cresceu nesses últimos cinco anos. Diferentemente do que ocorreu com as 137 empresas incluídas no levantamento.

Segundo os dados organizados pela Deloitte, as companhias centenárias apresentaram também as maiores taxas de crescimento de receita, lucro e valor de mercado nos últimos cinco anos. Cenário totalmente oposto ao das outras 137 empresas analisadas no mesmo período. O consolidado incluiu 11 empresas de capital aberto, com 100 ou mais anos de fundação, nos setores têxtil, calçados, açúcar e álcool, siderurgia, atividades financeiras, química e farmacêutica. Das 11, oito estão no índice de governança da BM&FBovespa. A receita anual das empresas avaliadas pela Deloitte parte de R$ 564 milhões até R$ 42 bilhões. Com relação ao valor de receita, foram incluídas empresas médias e grandes. Em todos os casos, os resultados foram menos impactados pela conjuntura econômica, ao contrário do que ocorreu nas demais empresas analisadas. André Guilherme Pereira Perfeito, economista­ chefe da Gradual Investimentos, diz que um diferencial de muitas empresas com mais de um século é um alto grau de resiliência. "Empresas centenárias no Brasil, por exemplo, enfrentaram muitos capítulos de uma história econômica bastante tumultuada, apresentando uma boa capacidade de adaptação a novos cenários. Muitas vivenciam isso desde a Crise do Encilhamento, no final da Monarquia e início do República", comenta Perfeito. O economista destaca que boa parte dessas empresas, com administração familiar, passou por longos processos de profissionalização, que é um movimento natural do amadurecimento. Perfeito observa que a tradição tem um peso grande na formação da sua reputação. "Mas só a tradição não é garantia. Um bom exemplo é o caso do Lehman Brothers. O banco foi fundado em 1850, passou pela Primeira Guerra e pela Segunda Guerra, e ainda assim quebrou. O fato de uma empresa ter conseguido se adaptar às mudanças durante tanto tempo não significa que ela terá sempre a mesma trajetória."

James Gulbrandsen, sócio gestor da NCH Capital, gestora especializada em mercado emergentes com sede em Nova York e mais oito escritórios na Europa, diz que os investidores avaliam de forma muito positiva uma companhia com cem anos ou mais e que atende às exigências de governança.

“A Raia Drogasil é um bom exemplo entre as empresas centenárias no Brasil. Trata-se de um
segmento de atuação que é complexo, exige muito conhecimento e aperfeiçoamento constante para lidar com logística e concorrência. Neste caso, o histórico de cem anos faz muita diferença, porque os executivos têm o entendimento do negócio no sangue, há várias décadas. Não por acaso a Raia Drogasil tem um desempenho tão bom em um setor em que há outras companhias em situação muito complicada.”