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FIDCs sofrem com deterioração de crédito e baixo volume de captação

Fonte: Capital Aberto | 28/09/2016 | Mariana Segala

O aumento da inadimplência e a recente avalanche de pedidos de recuperação judicial já têm reflexos importantes sobre os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).

Levantamento da consultoria Quantum Finance, feito a pedido de SELETAS, sugere que a qualidade dos créditos que servem de lastro para as carteiras teve franca deterioração nos últimos anos. As provisões para devedores duvidosos (PDD) — valores reservados pelos fundos para fazer frente a inadimplência de créditos — chegaram a uma média de 14% sobre o valor das carteiras em junho deste ano. Em agosto, último dado disponível, o indicador ainda era de 12,9%. A taxa é muito mais alta que a registrada em maio de 2012, de 7%. A pesquisa da Quantum analisou dados de 989 FIDCs, que representam toda a indústria dessa categoria de fundos no período entre 2012 e 2016.

“O movimento das provisões nos FIDCs se assemelha ao que se viu nos balanços de bancos como Bradesco e Itaú”, avalia Adeodato Volpi Netto, sócio da consultoria Eleven Financial Research. Nos últimos trimestres, como consequência da desaceleração econômica e do recuo da liquidez em geral no sistema financeiro, os dois bancos se viram obrigados a elevar seus níveis de PDD. Tanto no Bradesco quanto no Itaú, em valores absolutos, o aumento dos valores provisionados foi de cerca de 50% de 2014 para cá. Uma consequência secundária desse processo para a indústria de FIDCs foi o impacto sobre a classificação de risco dos fundos. Conforme a Quantum, somente neste ano houve 126 registros de rebaixamento de ratings de FIDCs por agências de risco, ao passo que as elevações somaram apenas 19.